quarta-feira, 26 de novembro de 2014

APOCALIPSE, AGORA - Fernando Gabeira



Apocalipse, agora
Fernando Gabeira - O Estado de São Paulo (21/11/14)
Passada uma semana do juízo final, ainda me pergunto cadê a Dilma. Ela disse que as contas públicas estavam sob controle e elas aparecem com imenso rombo. Como superar essa traição da aritmética? Uma lei que altere as regras. A partir de hoje, dois e dois são cinco, revogam-se as disposições em contrário.
Os sonhos de hegemonia do PT invadem a matemática, como Lysenko invadiu a biologia nos anos 30 na Rússia, decretando que a genética era uma ciência burguesa. A diferença é que lá matavam os cientistas. Aqui tenho toda a liberdade para dizer que mentem.
Cadê você, Dilma? Disse que o desmatamento na Amazônia estava sob controle e desaba sobre nós o aumento de 122% no mês de outubro. Por mais cética que possa ser, você vai acabar encontrando um elo entre o desmatamento na Amazônia e a seca no Sudeste.
Cadê você, Dilma? Atacou Marina porque sua colaboradora em educação era da família de banqueiros; atacou Aécio porque indicou um homem do mercado, dos mais talentosos, para ministro da Fazenda. E hoje você procura com uma lanterna alguém do mercado que assuma o ministério.
Podia parar por aqui. Mas sua declaração na Austrália sobre a prisão dos empreiteiros foi fantástica. O Brasil vai mudar, não é mais como no passado, quando se fazia vista grossa para a corrupção. Não se lembrou de que seu governo bombardeou a CPI. Nem que a Petrobrás fez um inquérito vazio sobre corrupção na compra de plataformas. A SBM holandesa confessou que gastou US$ 139 milhões em propina.
E Pasadena, companheira?
O PT está aí há 12 anos. Lula vez vista grossa para a corrupção? Se você quer definir uma diferença, não se esqueça de que o homem do PT na Petrobrás foi preso. Ele é amigo do tesoureiro do PT. A cunhada do tesoureiro do PT foi levada a depor porque recebeu grana em seu apartamento em São Paulo.
De que passado você fala, Dilma? Como acha que vai conseguir se desvencilhar dele? A grana de suas campanhas foi um maná que caiu dos céus?
Um dos traços do PT é sempre criar uma versão vitoriosa para suas trapalhadas. José Dirceu ergueu o punho cerrado, entrando na prisão, como se fosse o herói de uma nobre resistência. Se Dilma e Lula, por acaso, um dia forem presos, certamente, dirão: nunca antes neste país um presidente determinou que prendessem a si próprio.
Embora fosse um fruto do movimento de arte moderna no Brasil, Macunaíma é um herói pós-moderno. Ele se move com desenvoltura num universo onde as versões predominam sobre as evidências. Nesta primeira semana do juízo final, pressinto a possibilidade de uma volta ao realismo. É muito aflitivo ver o País nessa situação, enquanto robôs pousam em cometas e EUA e China concordam em reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O realismo precisa chegar rápido para a equação, pelo menos, de dois problemas urgentes: água e energia. Lobão é o ministro da energia e foi citado no escândalo. Com perdão da rima, paira sobre o Lobão a espada do petrolão. Como é que um homem desses pode enfrentar os desafios modernos da energia, sobretudo a autoprodução por fontes renováveis?
Grandes obras ainda são necessárias. Mas enquanto houver gente querendo abarcar o mundo a partir das estatais, empreiteiras pautando os projetos, como foi o caso da Petrobrás, vamos patinar. O mesmo vale para o saneamento, que pode ser feito também por pequenas iniciativas e técnicas, adequadas ao lugar.
Os homens das empreiteiras foram presos no dia do juízo final. Este pode ser um caminho não apenas para mudar a política no Brasil, mas mudar também o planejamento. A crise hídrica mostra como o mundo girou e a gente ficou no mesmo lugar. Existe planejamento, mas baseado em regularidades que estão indo água abaixo com as mudanças climáticas.
O dia do juízo final não foi o último dia da vida. É preciso que isso avance rápido porque um ano de dificuldades nos espera. Não adianta Dilma dizer que toda a sua política foi para manter o emprego. Em outubro, tenho 30.283 razões para desmentir sua fala de campanha: postos de trabalho perdidos no período.
Não será derrubando a aritmética, driblando os fatos que o governo conseguirá sair do seu labirinto. O desejo de controlar a realidade se estende ao controle da própria oposição. O ministro da Justiça dá entrevista para dizer como a oposição se deve comportar diante do maior escândalo da História. Se depois de saquear a Petrobrás um governo adversário aconselhasse ao mais ingênuo dos petistas como se comportar, ele riria na cara do interlocutor. Só não rio mais porque ando preocupado. Essa mistura de preocupação e riso me faz sentir personagem de uma tragicomédia.
Em 2003, disse que o PT tinha morrido como símbolo de renovação. Me enganei. O PT morreu muitas vezes mais. Tenho de recorrer ao Livro Tibetano dos Mortos, que aconselha a seguir o caminho depois da morte, sem apego, em busca da reencarnação. Em termos políticos, seria render-se à evidência de que saqueou a Petrobrás, comprou, de novo, a base aliada e mergulhar numa profunda reflexão autocrítica. No momento, negam tudo, mas isso o Livro Tibetano também prevê: o apego à vida passada é muito comum. Certas almas não vão embora fácil.
A crise é um excelente psicodrama: o ceticismo político, a engrenagem que liga governo a empreiteiras, o desprezo pelas evidências, tudo isso vira material didático.
Dizem que Dilma vive uma tempestade perfeita com a conjunção de tantos fatores negativos. Navegar num tempo assim, só com o preciso conhecimento que o velho Zé do Peixe tinha da costa de Aracaju, pedra por pedra, corrente por corrente.
No mar revolto, sob a tempestade, os raios e trovões não obedecem aos marqueteiros. Por que obedeceriam?
O ministro da Justiça vê o incômodo de um terceiro turno. Não haverá terceiro turno, e, sim, terceiro ato. E ato final de uma peça de teatro é, quase sempre, aquele em que os personagens se revelam. Por que esses olhos tão grandes? Por que esse nariz tão grande, as mãos tão grandes, vovozinha?
*Fernando Gabeira é jornalista


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

TURBULÊNCIA POLÍTICA EM BRASÍLIA



PETIÇÃO ATÉ PARA A CASA BRANCA
TURBULÊNCIA POLÍTICA

“Petição contra a nomeação de Kátia Abreu será entregue para Dilma quando alcançar 20 mil assinaturas
BRASÍLIA. A presidente Dilma Rousseff é alvo de ao menos duas petições na internet para que reveja ações de seu governo e outra que pede o seu impeachment. Mesmo antes do anúncio oficial, nos últimos dias foi criado pedido para a suspensão da nomeação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para ministra da Agricultura, que até a noite de domingo, tinha 14,5 mil assinaturas. O abaixo-assinado eletrônico, realizado no site da Avaaz— rede mundial de ativismo virtual— foi organizado pelo Movimento Brasil pelas Florestas. O grupo repudia a escolha e argumenta na petição que Kátia representa os interesses das multinacionais do agronegócio.
“Caso essa ação se confirme será entendida por nós como um sinal do rompimento definitivo do governo federal com o desenvolvimento sustentável”, informa trecho do documento que deverá ser entregue à presidente.
Os internautas citam a MP 458, conhecida como MP da Grilagem e que foi relatada por Kátia Abreu em 2009. A medida permitia a legalização da invasão de terras na Amazônia. Integrantes do Greenpeace entraram no Senado e entregaram a ela uma faixa de Miss Desmatamento. Ao atingir 20 mil assinaturas, o documento será levado a presidente Dilma. A escolha da ministra da Agricultura também teve repercussão no Blog da Dilma, um dos principais portais em apoio à presidente. O site chegou a publicar, no último sábado, um artigo intitulado "Dilma e um tiro no pé chamado Kátia Abreu". O texto diz que a nomeação de Kátia Abreu "cria uma tensão desnecessária com sua base social".
Nos últimos dias, uma petição pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff também no Avaaz, criada em 2013, encostou em 1,5 milhão de assinaturas. A agitação em torno do pedido levou o próprio Avaaz a publicar, nesta segunda-feira, uma posição institucional com relação ao pleito.
Em nota à imprensa publicada no seu site, o Avaaz informa que promoveu um levantamento entre os seus membros uma votação sobre a permanência do abaixo-assinado, que, segundo resultados preliminares, aponta que a maioria não apoia a petição, “mas também acredita que ela não deva ser tirada do ar”.

“Portanto, a pesquisa mostra que a comunidade da Avaaz em sua maioria não apoia uma campanha pelo impeachment da presidente Dilma”, explica a nota oficial da organização.
No fim de outubro, depois do segundo turno das eleições presidenciais, um pedido também foi apresentado à Casa Branca para que o governo americano se posicionasse em relação à “expansão bolivariana comunista no Brasil promovida pelo governo Dilma Rousseff”. A petição já tem 142 mil assinaturas. O site não revela o local de origem dos signatários. Com 150 mil, o governo americano promove uma manifestação sobre o tema.
Outra ação que circula no site da Avaaz é liderada por petistas da área da cultura que criticam retrocessos no setor nos últimos anos, especialmente no período em que Marta Suplicy comandou o Ministério da Cultura. O grupo pede à Dilma melhorias na política nacional de museus, que deixou de ser prioridade em comparação ao governo Lula. O objetivo do grupo é atingir 500 assinaturas para que a petição seja levada à presidente.
— Nós mulheres e homens que ajudamos a construir um programa de governo do presidente Lula em 2003 e que pela primeira vez os museus e as memórias eram tidas como relevantes para as políticas públicas culturais (…) queremos uma gestão que esteja comprometida com esses valores, que se retome o caminho das conquistas e avanços dos últimos 12 anos da Política Nacional de Museus— diz trecho do documento.”                                                                                                                           Fonte: http://oglobo.globo.com/brasil/ (24/11/14)



'Dilma comete crime de responsabilidade e abre caminho para impeachment', diz Aloysio Nunes
O senador Aloysio Nunes disse em entrevista à TVEJA que a oposição vai trancar a pauta e impedir a votação no texto que altera a LDO para eliminar a meta de superávit de 2014. Mas segundo o parlamentar, ainda que a lei seja alterada o crime já foi cometido. “No rigor da lei há motivos para processo de impeachment de qualquer forma”, afirmou o senador. Ele conversou no Direto ao Ponto com Joice Hasselmann. (24/11/14)

 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

MENSALÃO É "PEQUENAS CAUSAS" FRENTE À LAVA JATO



Pequenas causas
MENSALÃO É "PEQUENAS CAUSAS" FRENTE À LAVA JATO
Gilmar Mendes diz que, hoje, mensalão seria julgado em ‘pequenas causas’
Gilmar Mendes disse que sentenças e punições do mensalão não tiveram qualquer caráter inibitório, pois o esquema do Petrolão estava em curso durante o julgamento do mensalãoFoto: Fabio Rodrigues Pozzembom/ABr
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), comparou nesta quinta-feira, 2 as investigações na Operação Lava Jato ao processo do mensalão. Citando os valores envolvidos nos dois casos, o ministro afirmou que “agora, a ação penal 470 (mensalão) teria de ser julgada em juizado de pequenas causas, pelo volume que está sendo revelado” na Operação Lava Jato, que está revelando um esquema de corrupção na Petrobras.
“Nós falávamos que estávamos a julgar o maior caso, pelo menos de corrupção investigado, identificado. Mas nós falávamos de R$ 170 milhões”, disse Gilmar, sobre o mensalão. Ao falar da Lava Jato, o ministro alertou que é um caso de proporções bem maiores. “Estamos a ver que esse dinheiro está sendo patrimonializado. Quando vemos uma figura secundária que se propõe a devolver US$ 100 milhões, já estamos em um outro universo, em outra galáxia”, disse, em referência às notícias de que o ex-gerente-executivo da diretoria de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, fechou acordo de delação premiada em que se compromete a devolver o valor e contar o que sabe sobre o esquema de corrupção e propina na estatal.
O ministro avaliou como “lamentável” que o esquema revelado pela Lava Jato já estivesse em operação durante o julgamento do mensalão. “Nem o julgamento do mensalão e nem as penas que foram aplicadas tiveram qualquer efeito inibitório. Mostra que é uma práxis que compõe a forma de atuar, de gerir, administrar.”
Tempo
Questionado se o processo que derivar da Operação Lava Jato pode se estender por anos no Supremo, como foi o caso do mensalão, Gilmar Mendes disse que hoje há “uma tecnologia processual mais moderna, com o trabalho das turmas”. Desde junho, as ações penais são remetidas às turmas do STF e não ao plenário, como forma de agilizar o julgamento. “Mas certamente pode ser um caso trabalhoso. E também já se faz previamente a divisão dos processos. Haverá distribuição, definição de competência”, disse Gilmar Mendes. (AE)
Fonte: http://www.diariodopoder.com.br/noticias/mensalao-e-pequenas-causas-frente-a-lava-jato/(20/11/14)

IMPEACHMENT DE DILMA E PRISÃO DE LULA



O povo precisa ir às ruas pedir o impeachment da Dilma e a prisão do Lula,  
por Jorge Oliveira
 “Maceió – Ainda lembro da euforia popular e das cenas marcantes: de braços dados, a comissão de frente da democracia caminhou pela Esplanada dos Ministérios arrastando multidões, em Brasília, à caminho do Congresso Nacional exigindo o impeachment de Collor. O dia ensolarado não intimidou nem mesmo o presidente da ABI, Barbosa Lima Sobrinho, um senhor que já beirava os noventa anos. Ao seu lado, políticos do PT e de outros partidos de esquerda, atendiam o comando do presidente da OAB, o combativo Marcelo Lavenère, conterrâneo de Collor, que, de punhos levantados, gritava as palavras de ordem: Fora Collor! Os caras pintadas, liderados por Lindberg Farias, senador, que hoje responde a processo por corrupção, fazia coro às manifestações de repúdio ao presidente eleito.
 Já se passaram mais de vinte anos, mas as imagens ainda estão bem claras na minha da cabeça. Organizada pelo petista José Dirceu, o mais aguerrido dos políticos contra a permanência de Collor no poder, a sociedade civil se levantou contra a roubalheira do governo colorido, suspeito de ganhar de presente uma perua Elba Fiat, usada, de mais ou menos 10 mil reais. A CPI, criada pelos partidos de esquerda, liderados pelo PT, convocava a turma do ex-presidente para depor. E fazia de cada depoimento escândalos de proporções assustadoras. Em um dos depoimentos, PC Farias enquadrou todos eles ao dizer categoricamente: “Vamos acabar com essa farsa. Aqui, todo mundo sabe como funciona o caixa dois”.
 Na verdade, todos sabiam. Mas influenciados pelos petistas, ainda magoados pela derrota do seu líder Lula nas eleições, os esquerdistas inflamavam a CPI na direção do impeachment de Collor. O ex-presidente havia chegado ao poder sem apoio de partidos. Criou um tal de Prona e se apresentou como candidato alternativo. Atropelou todo mundo, inclusive o PT, e ocupou o Palácio do Planalto. No poder, abominou os partidos e achou que poderia, como um soberano, governar sozinho, sem alianças, e abdicar do fisiologismo político. O povo o legitimaria a fazer a transição da ditadura – Collor era o primeiro presidente civil eleito, depois do fim do regime militar. Enganou-se: o PT, já àquela época, não respeitava ninguém, queria a todo custo chegar ao poder.E para isso, não importava os meios para derrubar um presidente legítimo, eleito pela maioria do povo brasileiro.
 Agora, depois de mais vinte anos da queda de Collor, percebe-se como o brasileiro foi enganado por essa esquerda petista de botequim, de atitudes fascista e golpista. A perua Elba do Collor, absolvido das denunciais de corrupção pelo STF, é um minúsculo cisco dentro de oceano de corrupção do governo petista. No Brasil, a Justiça estima o roubo na Petrobrás até agora em 10 bilhões de reais. Nos Estados Unidos, onde também a corrupção na empresa é investigada, já se fala em 25 bilhões. É, sem dúvida, o maior escândalo de corrupção do mundo.
 A pergunta é: onde estão as entidades tão combativas do Brasil como a OAB, a ABI, a CNBB, a UNE e os políticos combativos – ainda restam alguns remanescente no Congresso Nacional – que foram às ruas com tanta impetuosidade para limpar o país da corrupção da era Collor?  Quer saber? Encolhidos, envergonhados e decepcionados com esse governo que ajudaram a eleger e a permanecer no poder por mais quatro anos.
 Não vão às ruas porque estão intimidados. Os petistas já saíram na frente para acusar de direita àqueles que se manifestarem pelo impeachment da Dilma. São, no mínimo,  hoje entidades covardes e omissas.  A Justiça já tem depoimentos de delatores que acusam Dilma e Lula de comparsas da corrupção, motivo suficiente para enquadrar Lula e pedir o impeachment da Dilma, como fez a OAB com Collor.
 A omissão dessas entidades levam-nos a supor que os tentáculos da corrupção petista também teriam alcançado essas organizações que a vinte anos atrás ficaram indignadas com um presidente que recebeu um carro fuleiro de presente.”

Fonte: http://www.diariodopoder.com.br/(20/11/14)