quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

FLÁVIO BOLSONARO E O ‘RACHID’



Coaf vê movimentações suspeitas de servidores de 22 deputados da Alerj
Relatório do Coaf apontou operações bancárias suspeitas de 74 servidores e ex-servidores da Alerj, além de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, informa o G1.

São movimentações milionárias de pessoas que trabalham ou trabalharam em 22 gabinetes de deputados estaduais do Rio – entre eles, alguns que não foram alvo da Operação Furna da Onça.

O relatório do Coaf foi produzido no âmbito da operação Furna da Onça, para investigar movimentações atípicas nas contas de nomes ligados à Alerj. As irregularidades descobertas serão investigadas.

André Ceciliano, do PT é o parlamentar com maior volume de movimentações atípicas, envolvendo quatro auxiliares e somando R$ 49,3 milhões. Em seguida aparece Paulo Ramos (PDT), que teria movimentado R$ 30,3 milhões. 
Segundo o MPF, nem todos os nomes citados no relatório do Coaf foram incluídos nas suas apurações porque nem todas as movimentações são necessariamente ilícitas.

André Ceciliano, do PT, 49,3 milhões - Paulo Ramos, PDT, 30,3 milhões  - Márcio Pacheco, PSC, 25,3 - Lúcio Martins, PDT, 18,5 - Dr. Deodato, DEN, 13,3 - Carlos Minc, PSB, 16,0 – Flávio Bolsonaro, PSL,  aparece em 17º lugar 1,3 milhões    
 

Flávio Bolsonaro foi eleito Senador pelo Rio de Janeiro com  4.380.418 (31,36% dos votos válidos) e agora é suspeito de praticar   O ‘Rachid’ que é crime previsto no artigo 316 do Código Penal por exigir, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, vantagem indevida.  E também infringiu o artigo 71, que prevê crime continuado que prevê ação de improbidade administrativa,  condenada nas penas do art. 12, III, da Lei 8.429/92, no que se inclui a suspensão dos direitos políticos. Uma pena.

Vejam o que diz Janaina e Coaf: ‘Alguns hábitos não são naturais’
Josias de Souza, 12/12/18 

Num instante em que a família Bolsonaro evita tratar do caso Coaf em suas badaladas redes sociais, a correligionária Janaina Paschoal (PSC), deputada estadual eleita em São Paulo, fez uma longa reflexão sobre o tema no Twitter. Criticou os parlamentares que contratam assessores sob a condição de que devolvam parte do salário para o dono do gabinete. "Precisamos entender que alguns hábitos não são naturais, não fazem parte… Ou nunca sairemos desse lamaçal!", ela escreveu.

As observações de Janaina chegam num instante em que se encontra sob suspeição a folha salarial do gabinete de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Pelo menos nove assessores do filho mais velho de Jair Bolsonaro realizaram — no dia do pagamento do salário ou em datas próximas— depósitos na conta de Fabrício Queiroz, que era o motorista do parlamentar. Relatório do Coaf revelou que Fabrício movimentou de forma suspeita R$ 1,2 milhão em um ano. Desse total, pelo menos R$ 24 mil foram para a futura primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Janaína dedicou 18 posts ao tema. Contou: "Muito antes do relatório do Coaf, que vem sendo largamente discutido, o funcionário responsável pela Corregedoria da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) montou um curso para os deputados eleitos, com o objetivo de alertá-los de alguns problemas que podem enfrentar na futura gestão." Um desses problemas é justamente a apropriação pelo parlamentar de nacos dos salários dos assessores.

Nas palavras de Janaina, "não raras vezes, o parlamentar contrata pessoas que sequer comparecem para trabalhar, pois o fim é apenas obter o salário de volta!" Advogada, ela teve o cuidado de não citar nomes. "Quero deixar muito claro que não estou falando nem de A, nem de B. Quero deixar bem claro que estou falando do Brasil que queremos ter!" Ficou claro também que, sem citar Flávio Bolsonaro, foi no caso dele que Janaina se inspirou para dizer o que pensa sobre a matéria.

Prestes a assumir o seu primeiro mandato eletivo, Janaina defendeu a criação de mecanismos que estimulem os assessores que têm os salários mordidos a denunciarem a prática. "O funcionário precisa ser acolhido em seu relato! Claro que precisará provar o alegado, mas se for tratado como bandido, não vai denunciar nunca! Qualquer manual de compliance ensina isso!".

Noutro trecho, Janaina referiu-se especificamente à investigação sobre a Assembleia do Rio. Estimulou a delação: "Uma movimentação estranha, como toda a imprensa vem dizendo (responsavelmente), não implica ilicitude. Mas se os investigadores quiserem mesmo chegar a algum lugar, precisam dar alguma garantia aos assessores, para que eles falem…"

Mais adiante, ela acrescentou: "Esse tipo de prática, não importa a pessoa, não importa o partido, precisa ser coibida", anotou Janaina. "A lógica da contratação precisa ser a capacidade do contratado e não a disponibilidade em dividir seus ganhos com o chefe."

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

JOÃO DE DEUS, O MÉDIUM E O MONSTRO


JOÃO DE DEUS, O MÉDIUM E O MONSTRO                                                                 por Theodiano Bastos
Freud: “a sexualidade feminina é um continente obscuro”
Além da Policia, João de Deus deve ser estudado pela Ciência a fim de desvendar seu poder de cura, principalmente as cirurgia espirituais. João de Deus (João Teixeira de Faria), 76 anos, casado com Gleide Dutra de Deus (Ana Keyla Teixeira), com quem teve 9 filhos.
Ele atende todas as quartas, quintas e sextas-feiras, com início às 8h, na Casa de Dom Inácio, em Abadiânia há mais de 40 anos Como o Médium João também atende no exterior.
As Entidades pedem para que as pessoas usem roupas brancas, mas ninguém deixa de ser atendido caso esteja usando roupas de outra cor.O atendimento é gratuito, sendo cobrado apenas a medicação, caso esta seja receitada pela Entidade, pois a Casa de Dom Inácio não tem como custear a medicação para todas as pessoas, já que são milhares semanalmente.
Cirurgias espirituais só podem ser realizadas com a presença da pessoa enferma na Casa ou de um familiar com a foto desta.
As cirurgias espirituais (intervenções) são realizadas sem corte, somente sendo utilizado instrumentos quando a pessoa a ser cirurgiada pede e a Entidade autoriza.

Todavia, mais de 200 mulheres acusam o médium João de Deus de abusos sexuais em Abadiânia/GO, mas é a denúncia de sua própria filha, Dalva Teixeira, que mais causa espanto, conforme segue:  

FILHA ACUSA JOÃO DE DEUS DE ESTUPRO E COBRA 50 MILHÕES DE INDENIZAÇÃO

Por Claudio Dantas
O Antagonista apurou que uma filha de João Teixeira de Faria, o João de Deus, move contra ele uma ação de reparação por danos morais sofridos em razão de estupro continuado.
O valor da causa é de R$ 50 milhões.
Nos autos, que tramitam em segredo de justiça, a mulher classifica o pai como um homem bruto, cruel, violento.
Procurado pela reportagem, o advogado Marcos Eduardo Cordeiro Bocchini disse que não poderia se manifestar em razão do sigilo.
Uma fonte do MP de Goiás informou que a vítima teria sido violentada quando ainda era menor de idade, o que configuraria estupro de vulnerável.
Embora ela só tenha decidido mover a ação em meados deste ano, os filhos da vítima já processaram João de Deus anteriormente pelo caso, que teria sido encerrado após acordo.
O advogado Alberto Toron, que defende João de Deus, alegou a existência de um vídeo que a filha do médium teria gravado retirando as acusações – mas não o apresentou. Bocchini afirmou desconhecer o material.  https://www.oantagonista.com/
Conheci duas senhoras em Nanuque/MG  que relataram terem sido curadas de doenças graves com João de Deus e que os médicos não encontram respostas senão estarem diante de uma milagre que a medicina não tem explicações. Uma era caixa do Banco do Brasil e a outra, esposa do titular do cartório de protestos

Conheça a história de João de Deus, o médium suspeito de abusar sexualmente de mulheres em Goiás

Homem trabalha na Casa de Dom Inácio de Loyola, que fica em Abadiânia, cidade entre Goiânia e a capital federal. Ele é investigado pela Polícia Civil e MP-GO por supostos crimes sexuais cometidos durante atendimentos espirituais.

Por Murillo Velasco, G1 GO 10/12/2018 15h39

domingo, 9 de dezembro de 2018

AJUDA AOS MAIS POBRES


TRANSFERÊNCIA DE RENDA PARA OS MAIS POBRES

Como funcionam programas nos moldes do 'Bolsa Família' nas 10 maiores economias do mundo

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as nações ricas que integram o grupo gastam, em média, 1,6% do PIB em prestações de assistência social condicionadas a um limite de renda dos beneficiários, como é o caso do Bolsa Família. São recursos transferidos em dinheiro para ajudar na subsistência e lutar contra a pobreza. O número exclui gastos sociais com Previdência, saúde e seguro-desemprego.
No Brasil, as despesas com o Bolsa Família, programa que beneficiou 14 milhões de famílias em novembro, representam cerca de 0,5% do PIB. Neste ano, os pagamentos do Bolsa Família devem atingir R$ 30 bilhões.
O benefício médio recebido pelo programa é de R$ 187 (quase US$ 50), após reajuste de 5,7% que entrou em vigor em julho. O valor recebido pelos beneficiários varia conforme o número de membros da família, a idade de cada um e a renda.
Entre as 10 maiores economias do mundo - que incluem desde países com elevados níveis de bem-estar social, como a França e a Alemanha, aos com altos índices de pobreza, como a Índia -, os programas de transferência de renda estão presentes, ainda que com diferentes formulações.
França gasta mais
Na França - que vive uma onda de violentos protestos motivados pelos efeitos da alta carga tributária e do baixo poder de compra de boa parte da população -, os programas de transferência de renda são ainda mais amplos do que a média dos países ricos e atingem 2,1% do PIB, totalizando mais de 45 bilhões de euros (cerca de R$ 200 bilhões).
Além de garantir recursos para despesas do dia-a-dia, a França, que possui uma ampla rede de proteção social, tem também programas de ajuda para pagar o aluguel e contas de luz ou gás e para a compra de material escolar, entre outros.
De acordo com Maxime Ladaique, diretor de recursos estatísticos da divisão de políticas sociais da OCDE, os gastos dos países ricos com programas de transferência de renda se mantém, em geral, estáveis nos últimos anos.
"Logo após a crise financeira de 2008, as prestações sociais aumentaram, enquanto o PIB caiu. Os países pagaram mais para amortecer os efeitos da deterioração da economia", diz o especialista.
"Desde então, elas vêm sendo levemente reduzidas, mas o PIB dos países cresceu", afirma Ladaique, acrescentando que, na prática, a relação desses gastos em relação ao PIB tem se mantido estável.
Pode mudar no Brasil?
O presidente eleito Jair Bolsonaro, antes crítico do Bolsa Família, declarou que vai ampliar o programa e aperfeiçoar o combate a fraudes.
Além de um 13° 'salário' para os beneficiários, o programa de governo de Bolsonaro prevê instituir um sistema de "renda mínima para todas as famílias", ou seja, não apenas as mais pobres, com valor igual ou superior ao que é atualmente pago. O programa do presidente eleito não detalha, no entanto, como seriam obtidos os recursos para financiar a medida e se, de fato, ela será adotada.
Pedaço pequeno dos gastos sociais
Na avaliação de Ladaique, os programas de transferência de renda dos países ricos têm algo em comum: eles representam apenas uma pequena parte do total de gastos sociais, que incluem despesas bem mais elevadas como as da Previdência e saúde. "As despesas com pessoas de baixa renda são pouco significativas em relação a todos os gastos sociais", diz ele.
Basta olhar para os números gerais: os países ricos da OCDE gastam, em média, 21% do PIB (Produto Interno Bruto) na área social.
O percentual engloba os recursos usados na Previdência, na saúde pública, com seguro-desemprego e assistência social às famílias, que em vários casos inclui programas de distribuição de renda. Na França, os gastos na área são ainda maiores: 31% do PIB.
No Brasil, os gastos sociais do governo federal atingem cerca de 17,5% do PIB, incluindo despesas com Previdência, saúde, assistência social, educação, trabalho, saneamento básico e habitação. O percentual é mais elevado do que em outros países da América Latina e da Ásia.
Em boa parte dos países ricos, no entanto, os programas de transferência de renda não permitem que os beneficiários vivam acima da linha da pobreza (que leva em conta o nível de vida no país), ressalta Ladaique, da Ocde.
Conheça detalhes sobre cada um deles (com exceção do Brasil, que ocupa a nona posição no ranking do FMI) a seguir:
Estados Unidos: auxílio para alimentação
Direito de imagem Getty Images Image caption Programa americano paga benefícios a idosos e crianças de baixa renda cegos ou com alguma outra deficiência
O principal programa social dos Estados Unidos é o SNAP (Programa de Assistência Nutricional Suplementar), que ajuda pessoas de baixa renda a comprarem comida. É um programa federal, executado por agências locais, que beneficia mais de 20 milhões de lares. O valor médio pago por mês em 2018 para cada beneficiário é US$ 125 e, para cada lar, US$ 252. Os valores se mantiveram estáveis nos últimos quatro anos. O benefício custará quase US$ 56 bilhões neste ano. O SNAP é concedido aos lares com recursos e ativos de até U$ 2,2 mil.
O governo do presidente Donald Trump propôs mudanças na legislação, passando a exigir que pessoas com até 60 anos trabalhem para ter direito ao benefício, comumente chamado de "selos de comida". No caso de desempregados, também há programas de seguro-desemprego, operados por cada um dos Estados.
Por conta do impasse político criado com a proposta de mudança do SNAP, o Congresso americano ainda não aprovou a nova lei agrícola (Farm Bill), que financia o setor e o programa de nutrição. Parte da lei expirou no final de setembro e o restante irá expirar em 31 de dezembro.
A imprensa americana estima que pelo menos 2 milhões de pessoas poderão ter o benefício do SNAP cortado ou reduzido caso a proposta de Trump seja aprovada.
O programa Renda de Segurança Suplementar - Supplemental Security Income (SSI) - paga benefícios a adultos e crianças com deficiência ou pessoas acima de 65 anos com poucos recursos (ativos de até US$ 2 mil para um solteiro ou US$ 3 mil para um casal, considerando conta bancária, poupança, carro etc). No ano passado, o valor da ajuda mensal era de US$ 735 para um solteiro e de US$ 1,1 mil para um casal.
Há outros programas nos Estados Unidos, como a assistência temporária em dinheiro para famílias pobres e sem emprego (Temporary Assistance for Needy Families - TANF), com critérios e benefícios definidos pelos Estados. Alguns Estados exigem, para conceder o benefício, renda equivalente a menos de 50% da linha da pobreza, enquanto outros aceitam valores acima disso. Há uma contrapartida de horas de trabalho mensais, que podem ser serviços à comunidade, formações, ou empregos subsidiados no setor público e privado.
China: mudanças desde 1990
O país implementou 12 programas de assistência social. Alguns foram criados há várias décadas, mas eles ganharam força após uma reforma da assistência social no início dos anos 90, que passou a incluir nos programas de transferência de renda pessoas aptas ao trabalho.
Um deles, com versões urbana ("Urban Dibao"), e rural ("Rural Dibao"), garante recursos mínimos de subsistência às famílias de baixa renda, independentemente da capacidade para trabalhar. O sistema beneficia todos os lares do país que vivem abaixo da linha da pobreza. Shangai, a cidade mais desenvolvida do país, foi a primeira a implementar, em 1993, o Dibao urbano nos novos moldes que beneficiam a todos.
O programa Dibao é nacional, mas em razão das disparidades entre áreas urbanas e rurais e entre províncias do país, os governos locais definem os padrões de ajuda, ou seja, os benefícios variam de uma região para outra, mas são normalmente calculados em função da linha da pobreza na localidade.
Em Pequim, por exemplo, a linha da pobreza é de 900 yuans por mês (R$ 500). Se uma pessoa ganhar apenas 700 yuans (R$ 385), o governo completa os 200 yuans que faltam para atingir a renda mínima de subsistência.
Na média, o "Urban Dibao" equivale a um quinto ou um sexto da renda per capita das cidades. Em Pequim, a renda média per capita é de 5,3 mil yuans (R$ 2,9 mil).
Nas áreas rurais, a linha de pobreza média do Dibao é de 312 yuans (R$ 172), mais do que o dobro do valor em 2010, segundo a ONU.
Há um outro programa nas áreas rurais, o "Wubao", que fornece alimentação, roupas e cuidados médicos, além de ajuda financeira para moradia e até para enterros.
A partir dos anos 2000, a China reforçou novamente seus programas sociais, com assistência educacional para beneficiários do Dibao, além de subsídios para moradia.
Japão: ajuda para gastos médicos e material escolar
O Japão possui um programa de auxílio de subsistência, o Seikatsu Hogo. O valor do benefício resulta de um cálculo complexo em função do custo de vida básico necessário da família, conforme a idade e o número de membros do lar e também da região. Um lar em Tóquio com um adulto e uma criança em idade escolar, por exemplo, recebe por mês cerca de 125 mil ienes - US$ 1,1 mil (R$ 4,2 mil) e tem direito a auxílio moradia de 64 mil ienes (US$ 565 - R$ 2,2 mil).
O governo japonês prevê ainda ajuda financeira para gastos médicos, serviços para idosos e compra de material escolar, entre outros.
No Japão, as despesas sociais representam cerca de 23% do PIB, abaixo de países como a França e a Alemanha, mas acima dos Estados Unidos.
Alemanha: apoio até para o aluguel
Direito de imagem Getty Images Image caption A assistência social na Alemanha cobre despesas de subsistência, com garantia de recursos mínimos para pessoas de baixa renda ou incapacitadas de trabalhar
A assistência social na Alemanha cobre despesas básicas, com garantia de recursos mínimos para pessoas de baixa renda ou incapacitadas de trabalhar.
Neste ano, o montante "da assistência para necessidades básicas" é de 416 euros mensais (cerca de R$ 1,7 mil) para uma pessoa solteira e de 748 euros para um casal (R$ 3,1 mil).
Há um suplemento para crianças em função da idade, que vai de 240 a 316 euros (de R$ 1 mil a R$ 1,3 mil). Há ainda ajudas financeiras para necessidades suplementares, como mães ou pais solteiros, situações especiais como roupas de gravidez e de bebê, ou ainda para a educação de crianças e adolescentes, que incluem, por exemplo, recursos para material didático e excursões escolares.
Também há auxílio para pagar o aluguel, se ele for considerado "razoável". Isso significa um montante de cerca de 450 euros (quase R$ 2 mil) no caso de um apartamento para duas pessoas em Berlim, uma das cidades mais baratas da Europa ocidental.
Reino Unido: apoio será ampliado
O país está implementando o sistema do Crédito Universal, um pagamento mensal para famílias de baixa renda.
Ele deverá ser ampliado para todo o país até 2019 e substituirá outros benefícios, como o complemento de renda (Income Support) e auxílio-moradia.
O Crédito Universal pode ser solicitado por trabalhadores, autônomos e desempregados. O montante depende da situação (ganhos, filhos, eventual deficiência, ajuda para pagar aluguel) e do local onde a pessoa vive. Ele não é válido para quem não é cidadão britânico ou irlandês. Um casal acima de 25 anos recebe 499 libras (US$ 640) por mês. Outros fatores podem ser acrescentados à ajuda básica, como 277 libras (US$ 355) por mês no caso do primeiro filho e 232 libras para o segundo filho e subsequentes.
França: ajuda nas contas de luz e gás
O sistema de proteção social francês é um dos mais generosos do mundo.
O país garante, por exemplo, uma renda mínima para pessoas com mais de 25 anos sem atividade profissional e que não tenham mais direito ao seguro-desemprego (que pode durar até dois anos). Jovens a partir de 18 também têm direito ao chamado Revenu de solidarité Active (RSA) caso tenham filhos.
O valor do RSA para uma pessoa que não receba auxílio-moradia complementar é de 550 euros (R$ 2,3 mil) mensais. Um casal com um filho recebe quase 1 mil euros (R$ 4,3 mil).
Além de uma ajuda financeira para o aluguel, há inúmeras outras alocações, como a destinada a despesas com crianças de menos de três anos, para a compra de material escolar ou ainda o "cheque energia" para pessoas de baixa renda, soma anual que varia de 28 a 247 euros (R$ 120 a pouco mais de R$ 1 mil) para ajudar a pagar contas de luz ou gás.
Índia: queda grande na taxa de pobreza
Direito de imagem AFP Image caption Assim como o Brasil, a Índia é um país onde há grande desigualdade social
A Índia lançou em 2013 um plano experimental de pagamento em dinheiro aos mais pobres, nos moldes do Bolsa Família brasileiro. O governo estuda atualmente modalidades para estender o programa, batizado de "seu dinheiro em suas mãos". Há dois anos, técnicos da Índia visitaram o Brasil para aprofundar conhecimentos em relação ao Bolsa Família.
Há diversos programas de bem-estar social no país, relacionados principalmente a bolsas de estudo. O país fornece auxílio para a compra de alimentos (5kg de grãos por pessoa por mês), subsídio para o gás de cozinha e alocações financeiras para atender às necessidades básicas de famílias.
A taxa de pobreza na Índia caiu de 55% para 28% no período de dez anos (até 2016), segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Itália: complemento aos baixos salários
Direito de imagem Reuters Image caption Na Itália, benefício social nacional é pago às pessoas de baixa renda com mais de 66 anos
A Itália ainda não possui um regime nacional de apoio financeiro à população de baixa renda.
Até o momento, o único benefício social nacional, o Assegno Social, é pago àqueles com mais de 66 anos em situação de vulnerabilidade.
Em seu projeto de orçamento para 2019 - fortemente criticado pela União Europeia por prever o agravamento do déficit público, que se situaria em 2,4% do PIB -, o governo italiano prevê o aumento dos gastos públicos para permitir a criação da chamada "renda de cidadania", medida defendida pelo Movimento 5 Estrelas e que garantiria a qualquer pessoa maior de idade uma renda mínima de 780 euros (R$ 3,3 mil).
Na prática, se a pessoa trabalhar e tiver um salário de 400 euros, ela receberá o complemento, 380 euros.
Também existem na Itália programas administrados por regiões e cidades que concedem recursos em função da renda e que variam de acordo com a localidade.
Canadá: governo limita iniciativas
No Canadá, os programas de assistência social são administrados pelas províncias e territórios, que fixam suas próprias regras e montantes dos pagamentos.
Em Ontário, uma pessoa sem filhos pode receber, entre a ajuda financeira de subsistência e o auxílio moradia máximo, até cerca de R$ 2 mil. No caso de um casal com dois filhos, a soma pode atingir R$ 3,3 mil.
A província de Ontário havia lançado no ano passado um projeto piloto de renda básica universal (uma verba mensal garantida tanto para desempregados quanto para trabalhadores), com 4 mil pessoas inscritas. Ele deveria durar três anos, mas em julho o governo da província anunciou o encerramento progressivo do projeto, alegando que a iniciativa custa caro e não é viável a longo prazo. Uma pessoa solteira poderia receber até 17 mil dólares canadenses (R$ 50 mil) por ano.
Coreia do Sul: programas 'sob medida'
Após a crise de 1997, o governo sul-coreano ampliou, em 2000, as condições para ter acesso ao chamado programa de proteção nacional de subsistência básica, permitindo que pessoas na faixa de renda baixa pudessem receber os recursos.
Antes, eles eram destinados apenas a pessoas incapacitadas de trabalhar por motivo de deficiência ou idade. O programa foi reforçado em 2015, com ajudas "sob medida" relacionadas ao custo de vida, serviços médicos, moradia e educação, baseada nas necessidades dos beneficiários.
O benefício corresponde a 30% da renda média, fixada anualmente pelo ministério da Saúde e do Bem-Estar Social. A renda média é de 2,8 milhões de wons (US$ 2,5 mil) para um lar com duas pessoas e a alocação de subsistência é de US$ 740. A ajuda escolar (inscrições, compra de material, entre outros) para estudantes do ensino fundamental e médio vai de US$ 37 a US$ 48.                                           Fonte: https://www.bbc.com/ 08/12/18