sábado, 29 de junho de 2013

BRASIL: O INVERNO DAS MULTIDÕES INDIGNADAS



inverno das multidões indignadas

 E os protestam continuaram no dia de ontem (28/06/13) em muitas capitais e cidades do Brasil.                                                                   Aqui no Espírito Santo, apesar do apelo do governador Renato Casagrande (PSB) clamar por uma trégua, os protestos continuaram e estradas, avenidas e a Terceira Ponte foram fechadas e ônibus e carros incendiados.
E seguem comentários garimpados na imprensa, para melhor avaliação dos leitores deste blog.

Adolescente é a sexta vítima após onda de protestos

Alessandra Duarte, André de Souza e Ezequiel Fagundes, O Globo, 28/06/13
“Um embalador de supermercado que tinha saído do interior tentar a vida na capital; uma mãe de três filhos que dividia seu tempo entre um trabalho como gari e outro como babá; um aluno do ensino médio que vivia com a avó e queria fazer Engenharia; duas desempregadas que moravam sós. E, na noite de quarta-feira, um adolescente de 16 anos atropelado por um caminhão, que desviava de um protesto em Guarujá (SP), somou-se aos mortos dos cerca de 20 dias de manifestações pelo Brasil.
Na noite de quarta-feira, no estado de São Paulo, em Guarujá, Baixada Santista, um caminhoneiro que seguia para o Porto de Santos pegou um acesso proibido para fugir de uma manifestação na Rodovia Cônego Domenico Rangoni, e acabou atropelando e matando Igor Oliveira da Silva, estudante de 16 anos que estava na garupa de uma bicicleta. O outro jovem, que guiava, ficou ferido. Os dois não participavam do protesto. O acusado foi preso e indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.”

Aprovação a governo Dilma cai e fica em 30%, aponta Datafolha (29/06/13)

“Chegou a hora de a presidente Dilma Rousseff experimentar para valer a antipatia que construiu laboriosamente nos últimos dois anos e meio entre deputados e senadores. A queda de 27 pontos em sua popularidade, medida pelo Datafolha, será sentida agora a cada necessidade de negociação.”

 Fernando Rodrigues, colunista da Folha de S. Paulo

Há três semanas, antes do início dos protestos, aprovação era de 57%. Pesquisa, que ouviu 4.717 pessoas, foi divulgada pela 'Folha de S.Paulo'.

Do G1, em Brasília, 29/06/13
“Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (29) pelo jornal “Folha de S.Paulo’ mostra que o governo da presidente Dilma Roussef tem aprovação de 30% dos eleitores, que o consideram bom ou ótimo. Desde o último levantamento do instituto, divulgado há três semanas, foi registrada queda de 27 pontos percentuais na aprovação. A redução é a maior desde o início da gestão Dilma e ocorre logo após a onda de protestos que se espalhou por todo o país.
saiba mais
A pesquisa foi feita em nesta quinta (27) e sexta-feira com 4.717 pessoas, em 196 municípios. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos.

Em março, o índice chegou a 65%, caindo para 57% em no início de junho. É a segunda vez desde que a presidente assumiu o cargo, em 2011, que sua avaliação cai acima da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O número de pessoas que consideram a gestão Dilma como ruim ou péssima passou de 9% para 25%. A nota média da presidente, numa escala de 0 a 10, caiu, segundo a pesquisa, de 7,1 para 5,8.

Os entrevistados pelo Instituto Datafolha também avaliaram o desempenho da presidente em relação aos protestos.  O levantamento apontou que, para 32%, sua postura foi ótima ou boa. Outros 38% julgaram como regular e 26% avaliaram como ruim ou péssima.

Desde que os protestos começaram a se espalhar pelas ruas do país, o governo anunciou uma proposta que inclui cinco pactos nacionais (por responsabilidade fiscal, reforma política, saúde, transporte, e educação) e a realização de um plebiscito para discutir a reforma política.

Economia
O Datafolha também a expectativa dos entrevistados sobre a inflação. 54% disseram ter expectativa de que o índice vá aumentar. No último levantamento, 51% afirmaram acreditar no aumento. Para 44% o desemprego vai crescer, enquanto na pesquisa anterior o índice era de 36% na pesquisa anterior. Segundo o instituto, 38% acreditam que o poder de compra do salário vai cair, aumento de 11 pontos percentuais.


 O golpe do PT, por Merval Pereira
Merval Pereira, O Globo, 28/06/13
“Quando os manifestantes nas ruas dizem que não se sentem representados pelos partidos políticos, e criticam a defasagem entre representante e representado, estão falando principalmente da reforma política.
Mas há apenas uma razão para que o tema tenha se tornado o centro dos debates: uma manobra diversionista do governo para tentar assumir o comando da situação, transferindo para o Congresso a maior parte da culpa pela situação que as manifestações criticam.
O governo prefere apresentar o plebiscito sobre a reforma política como a solução para todos os males do país e insistir em que as eventuais novas regras passem já a valer na eleição de 2014, mesmo sabendo que dificilmente haverá condições de ser realizado a tempo, se não pela dificuldade de se chegar a um consenso sobre sua montagem, no mínimo por questões de logística.
A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, convocou para terça-feira uma reunião com todos os presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) para começar a organizar a logística para um possível plebiscito.
Ao mesmo tempo, a diretoria de Tecnologia do TSE já começou a estudar qual a maneira mais rápida de montar uma consulta popular nas urnas eletrônicas.

Só depois dessas reuniões, o TSE terá condições de estimar o tempo previsto para implementar o plebiscito, e até mesmo sua viabilidade, já que o sistema binário (de sim ou não) pode não ser suficiente para a definição de temas tão complexos quanto o sistema eleitoral e partidário.”

Pacto no Governo Dilma, por Alcides Leite

Alcides Leite
“Ao invés de propor um pacto aos governadores e prefeitos das capitais, a presidente Dilma deveria reunir os ministros e a base do governo no Congresso e propor um pacto interno nos seguintes termos:
- Responsabilidade Fiscal e Inflação: acabar com as maquiagens nas contas públicas, acabar com os repasses do tesouro ao BNDES, comprometer-se com déficit nominal zero, dar total autonomia ao Banco Central, acabar com ajuda a países companheiros, reduzir os números de ministérios e cargos de confiança.
- Corrupção: destituir os deputados mensaleiros dos cargos nas comissões parlamentares, divulgar todos os gastos da Presidência da República, apoiar todas as investigações em curso (como aquela envolvendo Rosemary Noronha), divulgar todos os custos com a Copa do Mundo/Copa das Confederações, divulgar todos os gastos com o Congresso Nacional.
- Transportes Públicos: defender a abertura das contas de todos os concessionários de transporte público, abandonar o projeto do trem-bala e destinar os recursos para metrô nas grandes cidades.
- Reforma Política: comandar a base no Congresso para votar uma reforma política com o fim do horário político “gratuito”, adoção para valer da fidelidade partidária e da cláusula de barreira, acabar com o financiamento de pessoas jurídicas a candidatos e partidos, garantir a proporcionalidade eleitores/deputados entre todos os estados, acabar com a suplência de senador e com as coligações para o legislativo.
- Pacto Federativo: repassar para os estados e municípios todas as tarefas que eles podem realizar, com transferência dos recursos para isto.
- Reforma Administrativa: assumir as propostas do Plano Diretor para Reforma do Aparelho do Estado feita pelo ex-ministro Bresser Pereira no primeiro governo FHC, que propõe a distinção entre carreiras típicas de estado, que teriam tratamento próprio das burocracias e carreiras de funcionários com função de atendimento às demandas públicas, que teriam tratamento mais flexível, típico do sistema gerencial. Além de fortalecimento das organizações sociais.”
27/06/2013 | 10:51 Comentário na internet:
Autoridades, saiam debaixo da cama
“Pois é. A segunda mulher mais poderosa do mundo tomou um baita susto ao ver gente nas ruas reclamando dos seus procedimentos inócuos até agora, que não fizeram nada de positivo em favor da sociedade de modo geral. Do mesmo modo, os governadores dos estados, que já estavam dando toda atenção às questões de reeleição em detrimento das reais necessidades do povo, assustaram-se muito também, e ainda estão com medo. É imperioso que cada um saia debaixo da cama, e faça valer a força coercitiva do Estado para parar essas arruaças que vagabundos estão fazendo em seus nomes. Quem está andando nas ruas com faixas de protestos deve ser protegido; quem estiver destruindo e saqueando tem que levar bala. Só isso.” Paulo Corrêa de Araújo, Vila Velha – ES

Lula silencia e manipula Dilma de olho em 2014

“O constrangedor silêncio de Lula na mais grave crise da República esconde uma estratégia marota, típica dele, um ex-agitador de porta de fábrica: manobrar a reforma política por meio de sindicatos e dos “movimentos sociais”. Seu objetivo, com a “convocação” do plebiscito, é fazer o PT se apropriar das reivindicações espontâneas das ruas, e solidificar o projeto de poder do partido, caso decida retornar em 2014”
 “Os partidos de oposição denunciam e condenam a estratégia do governo federal de, ao ver derrotada a tentativa golpista de uma Constituinte restrita, buscar agora multiplicar a polêmica em torno da realização de plebiscito sobre a reforma política”, diz a nota. Fonte: cláudiohumberto.com.br

Em nota, juízes dizem que a democracia 'está em risco'

Fausto Macedo, Estadão
A Justiça está preocupada com o que chama de “risco à própria democracia”. Reunidos no início da semana na sede do Tribunal de Justiça de São Paulo, presidentes de tribunais e de associações nacionais e estaduais da magistratura produziram uma nota pública, divulgada nesta quinta feira, 27, na qual expressam as aflições do Judiciário, ante constante evasão de quadros e a insegurança da toga - 170 juízes estão sob ameaça de morte.
Os juízes revelam preocupação “com os rumos do Judiciário no contexto nacional, diante do processo de vulnerabilidade e fragilidade que vem se instalando em detrimento desse Poder, com risco à própria democracia". Participaram da reunião o presidente do TJ paulista, desembargador Ivan Sartori, o desembargador Henrique Nelson Calandra, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), o desembargador Nino Toldo, presidente da Associação dos Juízes Federais, e outros.”

Doações x corrupção, por Merval Pereira

Merval Pereira, O Globo, 28/06/13
“A tendência de proibir o financiamento por pessoas jurídicas ficou clara na audiência pública em que o ministro Luiz Fux ouviu especialistas e representantes da sociedade civil a respeito do financiamento das campanhas eleitorais. Mas não há consenso sobre o financiamento público exclusivo, como propõe o PT.
Embora a proposta de sistema eleitoral do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), o mesmo que originou o projeto de iniciativa popular que resultou na Ficha Limpa, trabalhe com a lista fechada para indicação de candidatos com o objetivo de facilitar a adoção do financiamento público de campanha, ela tem como objetivo secundário criar as condições necessárias para proibir o financiamento por pessoas jurídicas.
ambém o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, diretor do Iuperj, declarou-se contrário, afirmando que a livre ingerência de grandes empresas privadas no financiamento eleitoral no Brasil é nociva à democracia porque desequilibra a disputa e influencia largamente no resultado.
“As doações por pessoas jurídicas são um fator altamente potencial para a corrupção”, disse ele em sua apresentação. Monteiro lembrou que o país já restringe as doações de pessoas jurídicas (sindicatos, ONGs, Oscips, concessonárias etc.) e deveria adotar a proibição total, acoplada a outras medidas, como o estabelecimento de teto para gastos e doações, ficando com um sistema de financiamento eleitoral “mais justo”.
Segundo ele, os gastos das campanhas eleitorais saíram de cerca de R$ 800 milhões em 2002 para quase R$ 5 bilhões em 2012.
O juiz Márlon Reis, do MCCE, afirmou na audiência pública no STF que não é razoável imaginar que as empresas brasileiras estão “doando” dinheiro para as campanhas eleitorais.
Os grandes doadores são “apenas as empresas que integram um círculo restrito das construtoras, dos bancos e das mineradoras. Seriam esses segmentos empresariais os exemplos de “cidadania”? Todas as demais centenas de esferas de atividade empresarial não participam do financiamento de campanha, afirmou Márlon.

A manipulação do plebiscito (Editorial)

O Globo, 28/06/13
“Ao sair da perplexidade e propor cinco “pactos” a governadores e prefeitos, sem qualquer sondagem prévia à base aliada, nem mesmo ao vice-presidente Michel Temer, a presidente Dilma Rousseff tenta responder à agenda das manifestações criando uma outra, a da reforma política. Manobra astuta.
Na reunião de segunda com governadores e prefeitos das capitais, Dilma apresentou seus pactos, um deles o da Constituinte exclusiva para uma reforma política, projeto capaz de desviar as atenções do eixo das manifestações e ainda colocar o Congresso sob pressão.
Pesquisas feitas entre manifestantes, antes da reunião de segunda, não detectaram o desejo por uma reforma política. No centro das reivindicações, encontravam-se a corrupção dos políticos, a oposição à PEC 37 — tema correlato —, o custo e precariedade dos transportes públicos, crítica aos gastos com as duas copas etc.
Apenas um exercício de contorcionismo intelectual relacionaria palavras de ordem gritadas nas ruas a uma reforma política. Outro dado sugestivo é que o monitoramento de redes sociais só passou a detectar a menção à reforma depois de Dilma Rousseff lançar seus pactos. Quer dizer, a presidente começou a pautar tuiteiros e navegantes das redes.
Na segunda, pelas palavras de Dilma, o PT conseguiu aproveitar a oportunidade da crise e encaixar o antigo sonho chavista da Constituinte exclusiva, para alterar as regras do jogo eleitoral.

Talvez não contasse com a reação forte contrária. No Congresso, principalmente do aliado PMDB. Diretamente, do próprio vice-presidente Michel Temer, jurista, antigo crítico deste atalho para se mudar por via rápida a ordem jurídica. De ministros do Supremo, da ativa e aposentados, além da Ordem dos Advogados do Brasil.
Por ser indiscutível que se trata de um projeto inconstitucional — Constituinte só depois de rupturas institucionais, para refazer todo o pacto político — , a própria presidente voltou atrás, mas deixou no lugar um plebiscito, para estabelecer a agenda a ser deliberada por deputados e senadores. Um aspecto deste inadequado plebiscito é a complexidade em si da temática.
Como acreditar que o eleitorado votará de forma consciente sobre “voto em lista fechada”, “cláusula de desempenho ou barreira” e assim por diante? Por isso, esta consulta popular, sobre assuntos obscuros para a grande maioria da população, é favorável apenas a quem tem máquina partidária, militância e eleitorado fiel, independentemente do que está em questão.
Ou seja, o “plano b” do plebiscito também ajuda o PT com suas propostas de financiamento público de campanha e voto em lista, por exemplo. Com isso, em vez de se fazer o mais simples e certo — mudanças tópicas, pelo Congresso, na cláusula de barreira e extinção das coligações em pleitos proporcionais —, envereda-se por uma rota tortuosa.
Enquanto isso, a verdadeira agenda das ruas está sendo tratada por deputados e senadores.”
O POVO CHEGOU PRIMEIRO
Por Carlos Chagas, 28/06/13
“Presidente do Estado de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada lançou-se na conspiração para derrubar a Republica Velha, mesmo sem saber que ela ganharia esse nome. Estava na verdade  contra o presidente Washington Luiz, que o preterira na escolha do sucessor, quebrando o acordo do “café-com-leite” entre Minas e São Paulo e indicando outro  paulista para sucedê-lo, em vez de um mineiro, no  caso, o próprio.   Atento ao que se passava no país, o velho cacique lançou uma palavra de ordem: “façamos a revolução, antes que o povo  a faça”...
 Fizeram.  Getúlio Vargas foi para o poder, dada a recusa de Luiz Carlos Prestes de  chefiar o movimento. 1930 foi o que de mais perto em nossa História  pode ser chamado de uma revolução, ainda que em termos políticos e econômicos quase nada tenha   mudado. Mas em matéria social, avançamos muito, quando Getúlio, tanto faz se presidente provisório, presidente constitucional ou ditador, estabeleceu as leis trabalhistas, do salário mínimo à jornada de oito horas, as férias remuneradas, a proteção ao trabalho da gestante e do menor, as aposentadorias e pensões e a garantia do emprego depois de dez anos trabalhados numa mesma empresa. Mudanças tão profundas como essas, nem antes nem depois dele aconteceram, ou seja,  a revolução antecipou-se ao povo, modificando  as relações entre capital e trabalho.
 A constatação, mais de oitenta anos depois, é de que os atuais  donos do poder não fizeram a sua prometida revolução. O PT foi  para o governo e ficou no assistencialismo, sem nem ao menos restabelecer a parte das reformas de Getulio que a reação revogou.
 Dez anos passados desde a ascensão do Lula e eis que agora o povo chegou primeiro. Nem os companheiros nem os políticos atentaram para a indignação nacional  diante do que deveriam ter realizado e não realizaram. O resultado está sendo  a rebelião das ruas, primeiro dos jovens, seguida pela adesão dos mais velhos. Com todos os excessos dignos dos  movimentos onde a autoridade pública perde as condições de seu exercício. Menos pelas depredações ainda hoje verificadas, mais pela espontaneidade dos protestos e a exigência de mudanças, assistimos a uma verdadeira revolução nascida do povo.
Bem que os governantes atuais tentam apropriar-se da ebulição  em marcha.  Dona Dilma anunciou uma série de reformas, a começar pela disposição de dialogar com a sociedade.  O Congresso, feito passarinho que foge do gato, acelerou a votação de uma série de  reformas   há muito exigidas pela população, desde o combate à corrupção às passagens gratuitas nos transportes públicos.
O problema, vale repetir, é que o povo chegou primeiro e dificilmente deixará de  continuar  impondo  suas exigências, mesmo arrefecendo seu furor urbano. Nem Dilma Rousseff nem o Lula assemelham-se a Antônio Carlos, muito menos a Getúlio Vargas. Estão mais para Washington Luiz ou Júlio Prestes, seu malfadado príncipe herdeiro.

Na verdade, sem que a maioria dos sociólogos ou historiadores percebam, e não  poderia ser diferente,  verifica-se entre nós uma daquelas transformações que só mais tarde a História e  a Sociologia explicarão, tanto faz se como um ensaio geral, à maneira do que os tenentes encenaram a partir de 1922,  ou como da  revolução que eclodiu em 1930.  De qualquer forma, tem  gente candidata ao exílio. 
A  GRANDE BOBAGEM
Felizmente foi  posta para correr  a  tese da convocação de uma Constituinte exclusiva para promover a reforma política. Em menos de 24 horas a proposta saiu pela ralo, sem ter contagiado os manifestantes nas ruas e, nem mesmo,  os  políticos  e os  juristas.  Dona Dilma fez que não era com ela, apesar de haver sugerido a absurda proposta,  da lavra do Lula.  O resultado é que a reforma política, se fascina alguns doutos e outro tanto de malandros, interessa tão pouco às massas  como a participação do Taiti na Copa das Confederações.  O importante será  melhorar os serviços públicos, assegurar segurança para os cidadãos, combater a corrupção e garantir emprego, habitação,  educação e saúde para  200 milhões e brasileiros. Não será com a proibição de doações  eleitorais, a votação em   listas partidárias ou o voto distrital que chegaremos a lugar algum.”

Augusto Nunes, colunista de VEJA
“O enterro sem choro nem vela da PEC 37, decretado pela Câmara nesta terça-feira por 430 votos contra 9, confirmou que multidão indignada faz milagre. Faz até deputado brasileiro criar juízo, constatou o comentário de 1 minuto para o site de VEJA. Quando junho começou, os vigaristas que infestam e controlam a Casa dos Horrores estavam prontos para aprovar a proposta de emenda constitucional que proibiria o Ministério Público de promover investigações criminais. Antes que o mês chegasse ao fim, a patifaria foi sepultada em cova rasa.
Surpreendidos pelos atos de protesto que incluíram a rejeição da PEC 37 entre as bandeiras da revolta das ruas, os arquitetos da trama primeiro tentaram empurrar a votação para agosto. Até lá, imaginaram, os manifestantes teriam desistido de combater a corrupção impune. Erraram feio. O truque serviu apenas para aproximar a temperatura do ponto de combustão. Só então os conspiradores acharam sensato curvar-se  à vontade de incontáveis brasileiros exaustos de truques e tapeações.
A PEC 37 pretendia punir o Ministério Público não por seus defeitos, mas por suas virtudes. Foi concebida não para inibir eventuais excessos cometidos por promotores e procuradores, mas para impedi-los de obstruir caminhos que levam para longe da cadeia a bandidagem cinco estrelas. Precedida pela revogação do aumento das tarifas do transporte público, a capitulação  da turma que reduziu o Congresso a um clube dos cafajestes ensina que reivindicações nascidas na internet só vingam se ratificadas pela voz das ruas.
O abaixo-assinado virtual que protestava contra a volta de Renan Calheiros à presidência do Senado foi subscrito por mais de 1,5 milhão de eleitores. Deu em nada. Menos de 50 mil na porta do Congresso bastaram para enterrar a PEC da Impunidade (além de fazer um bando de indolentes trabalhar como nunca e, num caso exemplar de suicídio induzido, aprovar a toque de caixa um projeto que conferiu à corrupção status de crime hediondo. Se a coisa tivesse efeito retroativo, o Senado e a Câmara ficariam desertos). Quantos manifestantes serão necessários para obrigar Renan a renunciar ao cargo? Logo saberemos.
Também saberemos em breve se a ofensiva até aqui bem sucedida conseguirá livrar-se dos baderneiros, manter o vigor, encontrar alguma forma de organização e não perder o rumo. Caso se dê a favorável conjunção dos astros, a instauração de uma CPI da Copa se tornará questão de tempo, o Maracanã escapará das mãos dos eikes batistas, o STF tratará de acelerar o julgamento do mensalão e os ministros recém-chegados não ousarão socorrer quadrilheiros condenados à prisão. Fora o resto.
O que já ocorreu é suficiente para que o inverno de 2013 seja lembrado como a estação das descobertas essenciais. Primeiro, os brasileiros descobriram que pagam todas as contas e são tungados há anos. Depois descobriram que o Brasil Maravilha só existe num palanque ambulante e na cabeça habitada por um neurônio solitário. Descobriram em seguida que Lula, Dilma e o PT são campeões de popularidade apenas entre donos de institutos de pesquisa, e que o exército de milicianos decididos a morrer pelo PT só é capaz de matar de rir.
Por falta de partidos que os representassem, descobriram também que poderiam ser seus próprios porta-vozes. Vão descobrindo agora que, num regime democrático, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário não têm o direito de ignorar, subestimar ou sufocar um poder muito maior: o poder que emana do povo.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

15º DIA DE PROTESTOS: NÃO HÁ TRÉGUA




ONDE TUDO VAI PARAR 2 - 15º dia de protestos

Em pelo menos 18 cidades tiveram protestos no dia de hoje. Não há trégua, nem o futebol tira o povo das ruas. Trata-se de  um fenômeno social de massa inteiramente novo na história do Brasil. São multidões de libertários independentes e sem ideologias, cansados da corrupção e de maus governos. “No dia 20/06/13, por exemplo, a presidente Dilma ficou mais de duas horas acuada no Palácio do Planalto, impedida de deixar o local pela porta da frente por uma multidão que, do lado de fora, bradava contra a corrupção, a PEC 37, os gastos na Copa”, informa VEJA de 26/06/13, pg. 67. Antes, em Santo André, uma multidão de mais de 600 manifestantes ficaram horas em frente ao prédio onde Lula reside e ele não teve coragem de aparecer na janela.    

E continuam as depredações, e os saques, praticados por gangues das periferias, que atacam escondendo os rostos.
Vejam neste blog os textos: “AMEÇA VEM DAS PERIFERIAS” e Guerra Civil Urbana:                                  A desintegração social do Brasil”.

Para melhor compreensão e reflexão sobre os fatos, seguem outras opiniões:

CADÊ O DE GAULE?
Luiz Fernando Veríssimo
“O “Journal du Dimanche” de Paris de domingo trazia uma entrevista com Daniel Cohn-Bendit, um dos lideres da sublevação popular que quase derrubou o governo francês em maio de 1968 e que continua atuando, como ativista e analista político, com o nome que conquistou naquela primavera. Não é mais o irreverente Dani Vermelho de 45 anos atrás, mas ainda é o remanescente mais notório daquela geração que fez o então presidente de Gaulle pensar em largar tudo e se mandar. Só mais tarde ficou-se sabendo como o velho general chegara mesmo perto de renunciar. De Gaulle não era a única causa da revolta que começou com os estudantes e empolgou Paris, mas era um símbolo de tudo que os revoltosos não queriam mais. Se maio de 68 não sabia definir bem seus objetivos, pelo menos tinha um ícone vivo contra o qual concentrar seu fogo. Um conveniente símbolo com dois metros de altura, um nariz dominador e a empáfia correspondente.
A chamada de capa para a entrevista de Cohn-Bendit era “Um perfume de Maio de 68” e a matéria fazia uma comparação mais ou menos óbvia do que acontece no Brasil com o que acontece na Turquia e o que aconteceu nas recentes “primaveras” árabes e em 68 em Paris. Óbvia e inexata. Nos países árabes a rua derrubou ditadores, na Turquia a revolta é, em parte, contra um governo autocrático e inclui, como complicadora, a luta antiga pela hegemonia religiosa. E, diferente do maio de Paris, a combustão instantânea no Brasil ainda não produziu seus Cohn-Bendits nem tem um De Gaulle conveniente como um símbolo que resuma o que se é contra. Ser contra tudo que está errado despersonaliza o protesto. Qual é a cara de tudo que está errado? No Brasil tanta coisa está errada há tanto tempo que qualquer figura, atual ou histórica, serve como símbolo da nossa desarrumação intolerável, na falta de um de Gaulle. Renan Calheiros ou Pedro Álvares Cabral.
Na sua entrevista, forçando um pouco a cronologia, Cohn-Bendit diz que 68 foi o preâmbulo de 81, quando a esquerda chegou ao poder na França. Junho de 2013 será o preâmbulo de exatamente o quê, no Brasil? Aqui a esquerda, ou algo que se define como tal, já está no poder. O que vem agora? O Marx tem uma frase: se uma nação inteira pudesse sentir vergonha, seria como um leão preparando seu bote. Uma nação envergonhada dos seus políticos e das suas mazelas está inteira nas ruas. Resta saber para que lado será o bote desse leão.
Tempos interessantes, tempos interessantes”
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/06/13

“O plebiscito é uma resposta improvisada pela presidente Dilma para tratar de temas tão complexos, de responsabilidade do Congresso Nacional”
Senador Aécio Neves (PSDB-MG)
Bog do Josias: Os partidos que fazem oposição a Dilma Rousseff receberam com um pé atrás a notícia de que a presidente deseja encontrar-se com seus líderes. Devem aceitar o convite. Mas não têm tanta pressa nem estão interessados em restringir a conversa ao plebiscito sobre reforma política. Desejam levar à mesa uma pauta mais ampla. Algo que inclua da corrupção à inflação, com a redução do número de ministérios de permeio.
Dilma inicia nesta quinta (27) o ciclo de encontros com políticos. Programou-se para receber primeiro os governistas –os presidentes dos partidos pela manhã, os líderes de bancadas à tarde. No dia seguinte, ela receberia os líderes da oposição –sem Aécio Neves, presidente do PSDB e seu provável adversário na sucessão de 2014.
Coube aos presidentes da Câmara e do Senado, Henrique Eduardo Alves e Renan Calheiros, avisar aos líderes oposicionistas sobre o interesse de Dilma em recebê-los. Em privado, Aécio combinou com seus aliados um roteiro: confirmando-se o convite, PSDB e DEM dirão que precisam reunir suas Executivas. Coisa para terça-feira (2) da semana que vem.
Nessa coreografia, as Executivas das legendas oposicionistas aprovariam a pauta a ser levada à conversa com Dilma. O ponto de partida é a agenda divulgada há quatro dias junto com um manifesto subscrito por Aécio Neves (PSDB), José Agripino Maia (DEM) e Roberto Freire (PPS). No documento, a reforma política aparece no rodapé. E não há menção a nenhum plebiscito.
No discurso ensaiado pela oposição, a reforma política não é ignorada. Mas está longe de receber a atenção que Dilma atribui ao tema. Alega-se que a presidente inverte a prioridade das ruas. Os manifestantes estariam mais interessados em temas como saúde, educação, corrupção e carestia. A suposição é a de que Dilma valoriza a reforma do sistema político-partidário como forma de empurrar a crise que vem das ruas para dentro do Congresso.
Além da oposição, um pedaço do condomínio governista também torce o nariz para a estratégia plebiscitária de Dilma. A começar pelo PMDB. Ergue-se no partido do vice Michel Temer uma barricada contra a pregação do plebiscito. Para jogar água fria na fervura do Planalto, integrantes da legenda demonstram interesse em incluir na consulta popular uma pergunta para saber se o brasileiro quer manter ou não o estatuto da reeleição.
Fonte: http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/

Oposição chama plebiscito de 'manobra diversionista'

Em nota, PSDB, DEM e PPS afirmam que consulta sobre reforma política é para tirar foco das cobranças feitas nas ruas


O Estado de S. Paulo, 27/06/13
“Os partidos da oposição ao governo Dilma Rousseff, PSDB, PPS e DEM, definiram como "manobra diversionista" a proposta de realizar um plebiscito sobre a reforma política, apresentada pela presidente nesta semana. Em nota divulgada na tarde desta quinta-feira, 27, as siglas afirmam que a presidente colocou o tema em debate para ofuscar as cobranças feitas durante as manifestações.
Após os protestos ocorridos nos últimos dias no País, Dilma apresentou como uma das respostas às reivindicações a proposta de fazer mudanças no sistema partidário e eleitoral. Depois da reação contrária à criação de uma assembleia constituinte, a presidente sinalizou que conversaria com os parlamentares, aliados a da oposição, para discutir como realizar o plebiscito. O encontro com as siglas da base aliada foi nesta quinta e com a oposição ainda não há data definida. Segundo informou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, a reunião "será em breve".
Os parlamentares afirmam ainda que vão participar do debate com o governo e apresentar medidas "práticas" e de "curtíssimo prazo" no combate à corrupção e melhorias da saúde e educação. Sobre a reforma, as siglas disseram-se favoráveis à consulta, mas sob referendo, ou seja, quando o eleitor se manifesta contra ou a favor a uma lei já criada.
Na nota divulgada nesta tarde, os presidentes das três siglas, Aécio Neves (PSDB), José Agripino (DEM) e Roberto Freire (PPS), afirmam que falta seriedade ao governo para debater a reforma política. "Se tivesse, de fato, desejado tratar com seriedade esta importante matéria, a presidente já teria, nesses dois anos e meio, manifestado à nação a sua proposta para o aperfeiçoamento do sistema partidário, eleitoral e político brasileiro."
Para eles, ao propor a consulta, o governo tenta "encobrir a incapacidade" de dar respostas às reivindicações vindas das ruas e tira de foco a discussão dos "problemas reais".

Dilma: Trapalhada inesquecível, por Ricardo Noblat

Nos últimos 15 dias, quem testemunhou a marcha de multidões clamando país a fora por uma reforma política? Ou leu algum cartaz cobrando a reforma?
Alguém ouviu o coro com slogans do tipo “Ô seu Cabral, ô seu Cabral, eu quero o voto distrital”?
Ou então “Não senhor, não senhor, não dou dinheiro pra eleger governador”?
Vi um cartaz exigindo a volta da distribuição de barras de cereais em aviões da GOL. Mas foi na internet, se não me engano. E não passava de brincadeira.
Se você chegar para um manifestante e disser que o combate à corrupção passa também por uma reforma política, ele responderá que é a favor. E ponto.
Nem por isso a reforma ganhará lugar de honra nas passeatas.
Os temas campeões de audiência nas passeatas são: transporte melhor e mais barato, saúde, educação, segurança e corrupção.
Se uma reforma das leis enxugasse o número de recursos que permite a procrastinação das sentenças, ela daria mais Ibope do que a reforma política que o Congresso se nega a fazer.
O Congresso é uma assembleia de vencedores nada interessados em alterar leis que os favoreceram. Ou que pelo menos não atrapalharam sua eleição. Não há suicidas ali. Não, aparentemente.
Salvo seus assessores de confiança, Dilma não ouviu ninguém para propor o que as multidões não pedem. E o que não servirá para acalmá-las.
Por alguma razão – ou por uma série delas – o governo precisa da reforma política para enfrentar em situação mais confortável as eleições do próximo ano.
A proposta de fazer a reforma por meio de uma Assembleia Constituinte exclusiva foi uma das maiores mancadas que um presidente já deu.
Primeiro porque simplesmente isso não é possível, a se levar a Constituição a sério. Segundo...
Bem, devido ao primeiro motivo, não importa o segundo, nem o terceiro, muito menos o quarto.
O vexame protagonizado por Dilma durou menos 24 horas. Mas não se apagará tão cedo da memória dos críticos de uma presidente amadora. Ou “despreparada”, segundo os jovens líderes do Movimento Passe Livre.
Dilma está empenhada em reduzir o tamanho do vexame insistindo em ouvir a população sobre a reforma que o Congresso não fez e que se puder não fará.
Fala-se em plebiscito. Aos brasileiros seria oferecido um prato cheio de itens que, combinados, poderiam fornecer as linhas mestras da reforma.
Os brasileiros responderiam: quero este, este também, este, não, este jamais. Caberia ao Congresso se render à vontade popular.
Fala-se em referendo. Seria a consulta posterior.
O Congresso, que tem horror à reforma, esboçaria uma com medo de Dilma e das ruas. Em seguida, o distinto eleitorado votaria para dizer se concorda com ela.
Fora a má vontade com que o Congresso tratará do assunto, resta só um probleminha: o tempo.
Só se tem até o dia 2 de outubro para promulgar a reforma caso se queira que o capítulo dedicado às eleições possa valer para as eleições de 3 de outubro de 2014.
Isso significa mais ou menos o seguinte: discute-se em julho as perguntas do plebiscito ou a reforma a ser referendada.
Em agosto, usa-se a televisão para explicar ao povo cada ponto da reforma.
O que é voto distrital, por exemplo. O que é voto distrital simples ou misto. Voto em lista. Financiamento de campanha com ou sem dinheiro público. E um monte de outras coisas.
Em outro capítulo: a reeleição para cargos majoritários deve ser mantida ou extinta? Deputados e senadores continuarão podendo se reeleger quantas vezes queiram? E as mordomias deles? Corta-se ou não?
Sim, a imunidade parlamentar, o direito a fórum privilegiado... Permanecerão intocados?
E o regime presidencialista? Mantêm-se em cartaz ou cede lugar ao parlamentarismo?
Se falamos de uma reforma política de verdade não se poderá vetar nenhum desses pontos.
A natureza das explicações dará razões de sobra para brigas entre partidários e adversários disso e daquilo outro. Como as brigas serão equacionadas? Prevalecerá uma explicação apenas para cada item? Haverá mais de uma?
Responda: um mês apenas bastará para que o povo ganhe intimidade com um assunto tão complexo e possa votar mais tarde de forma consciente?
Setembro está reservado para que o Congresso monte a reforma. E a aprove.
Aguardemos.
Fonte: Blog do Noblat

Oposição não avaliza proposta de Dilma de fazer plebiscito

Maria Lima e Catarina Alencastro, O Globo
A presidente Dilma Rousseff inicia nesta quinta-feira o processo de diálogo com os partidos políticos para discutir a sua polêmica proposta de plebiscito para a reforma política. Marcado para sexta-feira, o encontro da presidente com os líderes da oposição não deve ser dos mais amistosos.
Os líderes de PSDB, DEM e MD (ex-PPS) avisaram nesta quarta-feira que não aceitarão “só tirar fotografia”, ouvir calados, nem avalizar a ideia do plebiscito: querem defender suas propostas, não só de reforma política, e levarão à presidente a defesa de um referendo após aprovação no Congresso das mudanças no sistema político-eleitoral. Hoje, Dilma se encontra com os dirigentes dos partidos governistas. A ideia da presidente é enviar ao Congresso, até terça-feira, sua proposta, centrada na realização do plebiscito.

Ministro do STF diz que plebiscito é desnecessário

Ricardo Brito, Estadão
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou nesta quarta-feira, 26, considerar desnecessária a realização de um plebiscito para consultar o eleitorado sobre a reforma política. "Um gasto. Vamos direcionar os recursos aos serviços essenciais", disse ele, após a solenidade de posse do colega Luís Roberto Barroso como 11º integrante da Corte.
Marco Aurélio disse ser contra a realização de uma consulta popular para ouvir a sociedade sobre pontos a serem discutidos na reforma política. "A meu ver, não cabe consultar o povo em geral sobre questões estritamente técnicas", disse. A despeito disso, o ministro do Supremo disse que, "sem dúvida alguma", é necessária a realização da reforma política.

Lula convoca jovens para ir às ruas

Tatiana Farah, O Globo
Surpreendido pelas manifestações que tomaram conta do país, o ex-presidente Luiz Inácio Lula tem reunido os movimentos sociais mais próximos do PT para tratar dos protestos. O tom de Lula impressionou os jovens de grupos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a União da Juventude Socialista (UJS), o Levante Popular da Juventude e o Conselho Nacional da Juventude (Conjuve). Em vez de pedir conciliação para acalmar a crise no governo, Lula disse que o momento é de “ir para a rua”.
Convidados pelo ex-presidente, cerca de quinze lideranças participaram do encontro anteontem, na sede do Instituto Lula, no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Estopim para a onda de protestos, o Movimento Passe Livre (MPL) não foi convidado.

O despreparo confirmado (Editorial)

O Estado de S. Paulo
Custa crer que a presidente Dilma Rousseff tenha falado sério quando propôs um "plebiscito popular" - existe outro? - para a convocação de uma Assembleia Constituinte, sem a participação dos atuais legisladores, com a incumbência exclusiva de fazer a reforma política.
Essa foi a principal enormidade que apresentou na reunião de emergência da segunda-feira com os 27 governadores e 26 prefeitos de capitais, convocada para a presidente mostrar serviço à rua.
Ela também pediu pactos nacionais para, entre outras coisas, tipificar a "corrupção dolosa" - existe outra? - como crime hediondo e pela responsabilidade fiscal para conter a inflação.
Eis um faz de conta: ninguém contribuiu tanto para desmoralizar esse princípio do que o atual governo com a "contabilidade criativa" a que recorre para tapar os seus desmandos fiscais.

A ideia da Constituinte exclusiva - que teria sido soprada para a presidente pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o governador do Ceará, Cid Gomes - foi defendida pelo então presidente Lula na campanha reeleitoral de 2006, para exorcizar o mensalão denunciado no ano anterior.
É um delírio político e jurídico. Chegue como chegar a respectiva proposta ao Legislativo, são remotas as chances de ser aprovada. É mais fácil Dilma se transformar da noite para o dia numa chefe de governo afável, pronta a ouvir e a respeitar os seus subordinados do que os congressistas entregarem de mão beijada a terceiras pessoas a atribuição, esta sim de sua alçada exclusiva, de aprovar mudanças na legislação eleitoral e partidária.
E, raciocinando por absurdo, se o fizerem, a lei que vier a ser sancionada pela presidente deverá ser abatida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Nove capitais têm protestos nesta quinta-feira

Concentração de manifestantes na capital do Ceará deve ocorrer antes da partida entre Espanha e Itália


POLÍTICA

Recuo de Dilma é sinal alarmante de que o governo está perdido

Blog de Ricardo Setti
Não tenham dúvidas, amigas e amigos do blog: é alarmante constatar que o governo da presidente Dilma, neste momento crucial da vida brasileira, com milhões de cidadãos protestando nas ruas, está perdido, está no mato sem cachorro.
Nenhum chefe de Estado que se preze faz uma solene proposta em rede nacional de TV — no caso, a de uma constituinte para realizar uma reforma política, a ser convocada por plebiscito, ideia esdrúxula sobre cuja forma de execução ninguém tinha a menor ideia e que foi duramente combatida por diversos setores — para, 24 horas depois, por vias indiretas e com seu governo mostrando visível desconforto, recuar e dizer que não é bem assim.
Segundo lembra o site de VEJA, “desde que foi alardeada pela presidente, pegando de surpresa governadores e prefeitos que aguardavam o início de uma reunião em Brasília, a ideia da Constituinte foi bombardeada por juristas, políticos da base parlamentar do governo e da oposição, e, reservadamente, considerada inviável por integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Pelo menos quatro magistrados do STF procuraram líderes do governo e da oposição para alertar sobre os riscos da proposta. Um dos ministros mais engajados enfatizou que o anúncio da chefe do Executivo era um ‘golpe contra a democracia’”.

27/06/2013
Câmara sepulta PEC reduzindo nº de deputados
A Câmara dos Deputados faz prosperar propostas de emenda constitucional com rapidez estonteante, como a PEC 37, mas mantém na gaveta outras cuja aprovação não interessa aos parlamentares. É o caso da PEC 170, que tramita desde 1999, reduzindo de 513 para 380 o número de deputados. O projeto só ganhou parecer da Comissão de Constituição e Justiça – contra, claro – esta semana, 14 anos depois.
O corte de 133 deputados federais, além de agradar a opinião pública, proporcionaria uma economia de R$ 250 milhões por ano. No mínimo.

Congresso funciona sob pressão

A partir das manifestações, o Congresso transmudou-se. Em poucas horas rejeitou a PEC-37. Renan Calheiros anuncia votação imediata no Senado, em dez dias, de projetos concedendo bilhetes gratuitos nos transportes públicos para estudantes, aumento de penas para traficantes, supressão de benefícios para autores de crimes contra a vida, ampliação da ficha-limpa para funcionários públicos, punição além da aposentadoria para juízes e integrantes do ministério público condenados na Justiça, punição para quem não cumprir a  lei de acesso a informações, redução do número de ministérios e muito mais coisa. Na Câmara, Henrique Eduardo Alves promete colocar a reforma política em votação conforme projeto até então engavetado. A presidentA Dilma voltou atrás na esdrúxula proposta de convocação de uma Assembléia Constituinte exclusiva, e parece  em vias de trocar o plebiscito por um referendo.  Com todo o respeito, o Congresso, agente único da reforma política, apesar de anunciar que vai recuperar o tempo perdido, deveria ser cercado outra vez pela massa que hoje ocupa as ruas. Porque pode ter sido apenas um soluço essa disposição dos presidentes da Câmara e do Senado. Cessando por hipótese a voz das ruas, logo o Congresso retornaria à placidez de sempre.

TERCEIRO MANDATO PARA LULA

Brasília – (Por Jorge Oliveira) - O maior problema do Brasil é de gerenciamento. Do lado da Dilma estão quatro pessoas que jamais seriam absorvidas pela iniciativa privada pela pobreza dos currículos e a qualificação profissional. Agarraram-se desde cedo ao Partido dos Trabalhadores e dentro dele fizeram carreira e assumiram cargos públicos relevantes depois que o PT chegou ao poder. Guido Mantega, Ministro da Fazenda; Ideli Salvatti, Ministra da Articulação Institucional; Gleise Hoffman, Ministra-Chefe do Gabinete Civil; e Gilberto Carvalho, Ministro da Secretaria-Geral da Presidência são as eminências pardas que cercam a presidente Dilma, responsáveis pelos aconselhamentos e pelo rumo político e econômico do país. O resultado está aí: um governo desastroso, desatualizado e improvisado. O que a presidente diz pela manhã, ela mesmo desmente à tarde. E assim, o Brasil vai se tornando um país instável e inseguro para os investidores estrangeiros. Internamente, ninguém acredita mais nas previsões de Mantega, o que faz com que milhares de pessoas ocupem às ruas e as praças públicas para protestar e os empresários desconfiem da condução da política econômica, retardem investimentos, aumentem os preços e contribuam para a volta da inflação.
É com esse pessoal que a Dilma se consulta diariamente. Ao deixar o Planalto, Lula deixou em cargos chaves, em Brasília, a mesma equipe que o ajudou a administrar o país. Pendurou no gabinete da presidente, Gilberto Carvalho, seu informante, e na economia Guido Mantega,  com quem despacha em São Paulo. Mantém também militantes petistas em todos os órgãos do governo, principalmente no sistema financeiro (Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES) Fundos de Pensão e agências reguladoras. É assim que Lula está exercendo o seu terceiro mandato presidencial, usando a Dilma na presidência, truque que adotou para se manter no comando do país. Lula tinha receio de afrontar a Constituição incentivando a emenda que permitiria o seu terceiro mandato. Na verdade, o ex-presidente também tinha medo da reação dos brasileiros para esse ato truculento e antidemocrático como fez Hugo Chávez, na Venezuela, na sua revolução bolivariana dos famintos.

Para que tudo desse certo, Lula bolou um plano genial. Escolheu Dilma Roussef como sua principal executiva dentro do Palácio do Planalto.  Tinha consciência do seu despreparo para administrar o Brasil politicamente pela falta de experiência partidária e de insucesso na iniciativa privada (Dilma faliu uma loja de R$ 1,99 que administrou em Porto Alegre) e assim seria mais fácil de manipulá-la.  Um militante petista de maior envergadura, certamente não iria se submeter as ordens de Lula quando estivesse no comando da presidência.