domingo, 29 de dezembro de 2013

INFORMES QUE ROLAM NA INTERNET




O Globo, 29/12/13

Cientistas políticos preveem o incremento da abstenção, dos votos branco e nulo em 2014. Os protestos de junho teriam revelado um crescente inconformismo com a política. Os eleitores não aceitam o comportamento e os privilégios dos políticos.
Na eleição (2012) para prefeito de São Paulo, esses votos foram de 32%. Em 2010, no pleito para presidente, foram de 25% (1º turno) e 28% (2º turno).
Esses cientistas políticos avaliam que o eleitor cansou de lero-lero e está à espera de gestos e atitudes. Um deles avalia: “Não há lugar para um caçador de marajás, mas para quem, como o Papa Francisco, dê o exemplo”.
O desafio dos candidatos será o de encarnar esse político. “O eleitor vai escolher entre os nomes existentes. O índice dos que querem oxigenar o Legislativo costuma ser de 60%, mas a renovação média é de 30%”, diz o diretor de um instituto de pesquisa.
Essa disparidade ocorre, explica, devido ao nível de conhecimento dos candidatos e à capacidade deles de se venderem à imagem e semelhança do que a população quer para dirigir seus destinos.

‘A crítica de que o PT perdeu conteúdo ideológico é correta’

Flávio Ilha, O Globo, 29/12/13

Ex-preso político, o advogado Carlos Franklin Paixão Araújo, de 76 anos, foi casado por mais de 20 com a presidente Dilma, de quem ainda é próximo. De saúde frágil e com um enfisema pulmonar inoperável, mantém a paixão pela política. E, apesar da visão crítica sobre o PT, ele diz que o governo hoje não tem adversários.
O senhor acredita que mensalão pode atrapalhar a reeleição da presidente?
Acho que não. A crítica que se faz ao PT, de que o partido perdeu seu conteúdo ideológico, é absolutamente correta. Mas, mesmo que o tenha perdido, é um partido que sempre cresce politicamente. Essa é uma contradição interessante da política brasileira: a cada eleição, apesar de tudo, o PT faz mais e mais votos.

Por quê?

Porque o PT, de uma forma ou de outra, corresponde às aspirações das camadas brasileiras mais necessitadas. É simples assim. E também tem uma política que consegue agregar setores de várias classes sociais, desde a classe média até as elites. Parte das elites apoia o PT, compreende a sua política.

Isso é mérito de quem?

Da intuição e, principalmente, do aprendizado do Lula. Quando ele fez a “Carta aos Brasileiros”, em 2002, precisou ver como é que faria tudo aquilo que estava escrito e prometido. Então eu acho que, nesse sentido, o PT fez as alianças corretas. É impossível desenvolver o capitalismo brasileiro sem alianças com setores capitalistas, como temos. As tormentas que ocorreram, o PT soube assimilá-las perfeitamente. Veio a tormenta do mensalão, e o Lula foi reeleito. Veio a outra onda do mensalão agora, com as prisões, e a Dilma está crescendo. Como explicar isso? A mídia colabora muito com o PT.

Intocada, previdência dos militares gasta mais do que o Bolsa Família

Folha de São Paulo, 29/12/13

“Preservada das reformas que atingiram os setores público e privado, a previdência dos militares mantém gastos em alta e superiores a, por exemplo, os do Bolsa Família.
Segundo o boletim de pessoal do Ministério do Planejamento, as despesas com aposentadorias e pensões militares somaram R$ 24,5 bilhões no período de 12 meses encerrado em agosto.
Principal programa de combate à miséria da administração petista, o Bolsa Família tem um orçamento de R$ 24 bilhões neste ano, destinado a 13,7 milhões de beneficiários. Os aposentados e pensionistas da previdência militar não chegam a 300 mil.

Como os servidores públicos civis, os militares ativos e inativos contribuem com valores muito abaixo do necessário para custear as despesas previdenciárias: a receita fica em torno dos R$ 2 bilhões ao ano.
A diferença é que, desde fevereiro, os novos servidores civis foram submetidos a um novo regime de previdência, com um teto de aposentadoria equivalente ao do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), de R$ 4.159 mensais.
Para receber acima desse valor, é preciso contribuir para um fundo de pensão, que, apesar das vantagens oferecidas, tem despertado resistências nas corporações, como a Folha noticiou hoje.
A permanência de privilégios para os militares tem sido justificada pelas condições especiais da carreira, que incluem possíveis riscos de vida, disponibilidade permanente e a sujeição constante a mudanças de residência.
Mas, no próprio Ministério da Defesa há queixas contra o volume de despesas com aposentadorias e pensões, que restringe as verbas disponíveis para investimentos.
A previdência militar consome cerca de 35% dos recursos da pasta e supera os gastos com os militares da ativa.

Comentários postados no site: http://dinheiropublico.blogfolha.uol.com.br/2013/12/29/
Suzana Souza comentou em 29/12/13 Sim,faltou informar que militar desconta para a previdência mesmo depois que está na reserva ou reformado,que o teto da profissão,o generalato,recebe em torno de 15 mil.Na ativa não existe hora— extra e a disciplina é diferenciada.A ordem é trabalhar até cair e eles o fazem.Comparar uma categoria que contribui e sustenta seu efetivo com bolsistas é questionável.Não seria mais adequado comparar com os servidores do Legislativo,por exemplo?

Paulo Pinto comentou em 29/12/13 Chamar os militares de “pequena elite” é uma piada. A remuneração dos militares é altamente defasada em relação ao funcionalismo público federal. Não recebem hora extra. Estão sujeitos frequentemente a mudar de cidade, por necessidade do serviço.
As pensionistas filhas de militares, que constituem família mas não abrem mão do benefício, essas sim são um problema. Mas não se pode condenar a categoria por completo.
Antonio comentou em 29/12/13 o militar trabalha 24 horas por dia, não FGTS, não recebe hora extra,coloca a vida em risco a todo momento e se for dispensado sai com uma mão atrás e outra na frente, sem nada, e os críticos querem que ele ganhe igual um trabalhador que folga todo feriado e final de semana. Porque os servidores do legislativo e judiciário ganham 4 vezes que o executivo e ninguém critica. Isso ninguém observa.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

UM VÔO DE VIDA NOVA E FELIZ



ÉPOCA DE RENOVAÇÃO E METAMORFOSE
Um voo de vida nova e feliz,                          por Theodiano Bastos

“A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver cerca de 70 anos. Porém, para chegar a essa idade, aos 40 anos, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão. Aos 40 anos, suas unhas estão compridas e flexíveis e já não conseguem mais agarrar as presas, das quais se alimenta. O bico, alongado e pontiagudo, se curva. Apontando contra o peito, estão as asas, envelhecidas e pesadas, em função da grossura das penas e, voar, aos 40 anos, já é bem difícil! Nessa situação a águia só tem duas alternativas: deixar-se morrer... ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e lá recolher-se, em um ninho que esteja próximo a um paredão. Um lugar de onde, para retornar, ela necessite dar um vôo firme e pleno. Ao encontrar esse lugar, a águia começa a bater o bico contra a parede até conseguir arrancá-lo, enfrentando, corajosamente, a dor que essa atitude acarreta. Espera nascer um novo bico, com o qual irá arrancar as suas velhas unhas. Com as novas unhas ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses, "renascida", sai para o famoso vôo de renovação, para viver, então, por mais 30 anos.
Muitas vezes, em nossas vidas, temos que nos resguardar, por algum tempo, e começar um processo de renovação. Devemos nos desprender das (más) lembranças, (maus) costumes e outras situações que nos causam dissabores, para que continuemos a voar. Um vôo de vitória. Somente quando livres do peso do passado (pesado), poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz. Destrua, pois, o bico do ressentimento, arranque as unhas do medo, retire as penas das suas asas, os maus pensamentos e alce um lindo vôo para uma nova vida” (autoria desconhecida)      
                         
A história de Renovacão da Águia é uma lenda, mas seu símbolo tornou-se referência e suas histórias são utilizadas em RH, é símbolo dos USA, entre outras analogias. Somos seres humanos racionais, porém capazes de alçar vôos cada vez mais altos, vencer desafios, renovar, quebrar paradigmas… “A Águia com seu perfil austero, olhar focado para frente, sem deixar de ver o que está ao seu lado, atinge sempre seus objetivos e metas.

                         O vôo da águia
              O escritos Affonso Romano de Sant'Anna, também escreve sobre a lenda, como segue:
“Já que estamos nesse clima de recomeçar, com a alma limpa para novas coisas, vou iniciar transcrevendo algo que recebi. Havia pensado em outra crônica, coisa tipo "propostas para um novo milênio", como o fez Ítalo Calvino. Mas às vezes um texto parabólico, elíptico, pode nos dizer mais que outros pretensamente objetivos. Ei-lo:
Achei que você ia gostar de tomar conhecimento disto, sobretudo quando janeiro nos inunda com sua luz.

Este texto vale mais que mil ilustrações.

Sei como é difícil uma nova ou surpreendente idéia para cartão de fim de ano. Mas esse, além de bater fortemente em nosso imaginário, dispara em nós uma série de correlações e desdobramentos. 

A: abertura é seca e forte. Não há uma palavra sobrando. Parece as batidas do destino na Quinta Sinfonia de Beethoven. Releiam. "A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão.” ·
Já li em algum lugar que Jung dizia que, em torno dos 40, alguma coisa subterrânea começa a ocorrer com a gente e os seres humanos sentem que estão no auge de sua força criativa. É quando podem (ou não) entrar em contato com forças profundas de sua personalidade.

Já ouvi de especialistas em administração de empresas que tem uma hora em que elas começam a crescer e seus dirigentes têm que tomar uma decisão — ou fazem com que cresçam de vez assumindo mais pesados desafios ou, então, fecham, porque ficar estagnado é apenas adiar a morte.

Já mencionei em outras crônicas o personagem Jean Barois (de Roger Martin du Gard) que fez um testamento aos 40 anos, quando achava que estava no auge de sua potência intelectual, temendo que na velhice, carcomido e alquebrado, fizesse outro testamento que negasse tudo aquilo em que acreditava quando jovem. Com efeito, envelhecendo, fez realmente outro testamento que desautorizava e desmentia o anterior. É que sua perspectiva na trajetória da vida mudara, como muda a de um viajante ou a do observador de um fenômeno.

O ano está começando.

Mais grave ainda: um século está se iniciando.

Gravíssimo: mais que um ano, mais que um século, um novo milênio está se inaugurando.

Três vezes Sísifo: o ano, o século, o milênio.

Sísifo — aquele que foi condenado a rolar uma pedra montanha acima, sabendo que quando estivesse quase chegando no topo — cataprum!... a pedra despencaria e ele teria que empurrá-la, de novo, lá para o alto.

Pois bem: "A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40 anos, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão. Nesta idade suas unhas estão compridas. Não conseguem mais agarrar as presas das quais alimenta. Seu bico, alongado e pontiagudo, curva-se. As asas, envelhecidas e pesadas em função da espessura das penas, apontam contra o peito. Voar já é difícil.” ·

Nossa sociedade pensou ter inventado uma maneira de resolver, nos seres humanos, o drama da águia: a cirurgia plástica. Silicone aqui e acolá, repuxar a pele acolá e aqui, pintar e implantar cabelos. Isto feito, a águia sai flanando pelos salões, praias, telas, ruas, escritórios e passarelas.

Mas aquela outra águia prefere uma solução que veio de dentro. Talvez mais dolorosa. Recolher-se a um paredão, destruir o velho e inútil bico, esperar que outro surja e com ele arrancar as penas, num rito de reiniciação de 150 dias.

Então a águia, digamos, acabou de descasar.

(Tem que redimensionar seu corpo e seus desejos, desmontar casa e sentimentos, realocar objetos e sensações, reassumir filhos.)

Então a águia, digamos, acabou de perder o emprego.

(Tem que descobrir outro trajeto diário, outras aptidões, enfrentar a humilhação.)

Então, a águia,digamos, acabou de mudar de país.

(A crise ou o amor levou-a a outras paragens, tem que reaprender a linguagem de tudo e reinventar sua imagem em outro espelho.)

Então, a águia, digamos, acabou de perder alguém querido.

(É como se uma parte do corpo lhe tivessem sido arrancada, sente que não poderá mais voar como antes, que o azul lhe é inútil.)

Então, a águia, digamos, está numa nova situação em que está sendo desafiada a mostrar sua competência.

(Tem medo do fracasso, acha que não terá garras nem asas para voar mais alto.)

Então, a águia, digamos, andou olhando sua pele, sua resistência física, certos achaques de velhice.

Pois bem. Há que jogar fora o bico velho, arrancar as velhas penas, e recomeçar. 

Época de metamorfose.

Os estudiosos da metamorfose dizem que não apenas larvas se transformam em borboletas. Para nosso espanto as próprias pedras passam também por silenciosas metamorfoses.

Enfim, parece que estamos condenados à metamorfose. Morrer várias vezes e várias vezes renascer. Até que, enfim, cheguemos à metamorfose final, onde o que era sonho e carne se converte em pó.

Mas que fique sempre no azul o imponderável vôo da águia.”
Fontes: http://www.releituras.com/arsant_aguia.asp Texto extraído do jornal “O Globo”, Segundo Caderno, edição de 03/01/2001, pág. 8. 

sábado, 14 de dezembro de 2013

MANDELA E SUA HERANÇA MORAL



MANDELA E SEU LEGADO:                     O ANCIÃO


“Quando um ancião morre uma biblioteca arde. E por todo o mundo, bibliotecas  estão a arder.

“É por isso que o despertar é feito por um ancião.
Até que um dia um ancião me contou a seguinte história.
A minha mensagem para o senhor Mugabe é simples: que se comporte como um ancião africano e se retire dignamente para a sua aldeia”, recordou Mandela.
Mandela deixou como grande herança o Global Elders (http://theelders.org/), formado em 2007, tendo como integrantes:  Graça Machel, Fernando Henrique Cardoso, Desmond Tutu, Jimmy Carter, Mary Robinson, Kofi Annan, Nelson Mandela, Gro Harlem Brundtland, Martti Ahtisaari, Ela Bhate e Lakhdar Brahimi
Sobre Mandela a jornalista Maria Helena RR de Sousa escreveu no blog: “O que Nelson Mandela fez pelo ser humano jamais será suficientemente valorizado. A vitória sobre o apartheid em seu país é obra de gigante. Acho incrível quando ainda leio críticas à sua atuação como administrador. Não basta ele ter conseguido que brancos e pretos andem na mesma calçada, frequentem a mesma escola, sejam tratados pelo mesmo médico? O que hoje parece tão comum - não é? - antes de Mandela era impensável.
Nelson Mandela tinha uma força espiritual descomunal. Nasceu no século 20, viveu 13 anos no século 21, resistiu bravamente a 27 anos de encarceramento e saiu da prisão com a mente ágil e o coração generoso.
Foi a maior figura destes dois séculos e duvido que apareça alguém para lhe fazer sombra. Se Martin Luther King tinha um sonho, Mandela tornou esse sonho realidade.
Mas não foi essa a única herança que ele nos deixou. Mandela apoiou a excelente ideia de Richard Branson, empresário, e Peter Gabriel, músico, e deu vida ao The Elders.
O grupo é formado por homens e mulheres que não estão ligados a interesses específicos de uma só nação, governo ou situação. Estão comprometidos com os interesses da humanidade como um todo e com os direitos humanos. Acreditam que em qualquer situação de conflito o importante é ouvir todos os lados, por mais impopulares ou intragáveis que sejam.
Pretendem agir sem meias palavras, dizer o que pensam, enfrentar tabus; sabem que não têm todas as respostas e estão convictos que todo ser humano é igualmente importante e pode colaborar com a solução que fará a diferença e influenciará positivamente a sociedade.
Trata-se de uma organização incomum, com um modo de operar insólito, que usa seu poder coletivo para abrir portas, acessar os que detêm o verdadeiro poder e caso seja necessário, levar a público as injustiças que clamam por conserto.
Eles não se acham o sal da terra, não buscam crédito para as soluções que alcançam, apoiam os esforços de outros grupos que advogam o bem da humanidade e até ampliam suas vozes.
Mandela, em 18 de julho de 2007, disse ao lançar o The Elders: “Vamos chamá-los Global Elders, não por causa de sua idade, mas por sua sabedoria individual e coletiva. É grupo que não deriva sua força do poder político, econômico ou militar, mas de sua independência e integridade. Não têm carreiras para construir, eleições a ganhar, eleitorado a conquistar.”
A semente do The Elders só frutificou porque caiu nas mãos de um homem brilhante, filho de uma tradição onde os anciãos, quando independentes, íntegros e sábios, são consultados e respeitados.
Jogada numa sociedade onde aos 70 anos deita-se fora a experiência de uma vida, onde a vivência é dispensável, onde ser idoso é um anátema, seria apenas mais uma ideia que não deu certo.”
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005. Ela também tem uma fanpage e um blog – Maria Helena RR de Sousa Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/ (14/12/13)