domingo, 10 de março de 2024

JUNG, EM 1944, VIU QUE A TERRA VISTA DO ESPAÇO É AZUL

 


Por THEODIANO BASTOS

Em 12 de abril de 1961, Yuri Gagarin, major russo, aos 27 anos,  foi o primeiro ser humano a ver a terra do alto e constatar de que cor era é. ''A Terra é azul”, é uma das frases mais célebres da humanidade "A paisagem é absolutamente linda e nova ... a superfície da terra muda de cor à medida que é iluminada pelo céu negro, de onde vejo muito bem as estrelas". A voz é do primeiro cosmonauta da história: Yuri Gagarin.

Do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, o major russo, de 27 anos, Yuri Gagarin entrou a bordo da vostok 1- cápsula de pouco menos de 2,5 metros – e deu uma volta completa ao redor do planeta.   

MAS JUNG DISSE ISSO EM 1944

A visão, ou experiência-de-quase-morte, vivida pelo psiquiatra Carl Jung em 1944, descrita por ele mesmo                                                              O famoso psicólogo suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) teve uma vivência inédita no ano de 1944, quando estava doente, que poderia ser descrita como uma visão ou uma impressionante experiência-de-quase-morte (EQM), que ele relatou por escrito e que está no livro “Memories, Dreams and Reflections“, num capítulo intitulado “Visões“. Como o criador da Psicologia Analítica e desenvolvedor da teoria do inconsciente coletivo e dos arquétipos, é curioso e rico ler o relato de Jung e seus encontros com formas primais e seu “conhecimento instantâneo” nessa experiência inusitada e inspiradora. No trecho traduzido que segue abaixo, Jung fala de impressionantes visões espaciais da Terra (que para nós hoje é fácil visualizar, com tantas filmagens de satélites e naves da Nasa coloridas e em HD, mas não pra ele em 1944), das fortes impressões sobre a existência de si mesmo em diferentes formas, e dos encontros com pessoas que lhe revelam respostas sobre a vida.

 “Um dia, após ser atendido com oxigênio, me vi fora do corpo e viajando pelo espaço, numa crescente subida, e abaixo de mim aparecia a Terra, o globo envolvido em esplêndida luz azul; e distinguia os continentes e o azul escuro do mar. Então, quis saber a que altura me encontrava, e fui informado que estava a 1.5OOkm. A visão da Terra de tal altura era a coisa mais maravilhosa que jamais tinha visto.”

Parece a mim que eu estava alto no espaço. Lá embaixo eu via o globo da Terra, banhado em uma gloriosa luz azul. Eu via o profundo mar azul e os continentes. Longe abaixo dos meus pés estava o Ceilão (atual Sri Lanka), e à distância acima de mim o subcontinente da Índia. Meu campo de visão não incluia a Terra inteira, mas sua forma global era claramente distinguível e suas linhas de contorno cintilavam com um brilho prateado através daquela maravilhosa luz azul. Em muitos lugares o globo parecia colorida, ou pintada de verde escuro como prata oxidada. Longe à esquerda esava um campo largo – o amarelo-avermelhado deserto da Arábia; era como se a prata da Terra tivesse assumido um tom vermelho-dourado. Então veio o Mar Vermelho, e longe, como se no topo esquerdo de um map – eu poderia quase ver um pedacinho do Mediterrâneo. Meu olhar foi direcionado fortemente para aquilo. Tudo o mais parecia indistinguível. Eu podia ver os Himalais cobertos em neve, mas naquela direção estava nebuloso e confuso. Eu não olhei para a direita. Eu sabia que estava no ponto de partir da Terra.

Mais tarde eu descobri o quão alto no espaço alguém tem que estar para ter uma visão tão extensa – aproximadamente mil milhas! A visão da Terra dessa altura era a coisa mais gloriosa que eu já havia visto.

Depois de contemplá-la por um tempo, eu me virei. Eu estava virado de costas para o Oceano Índico, como era, e meu rosto olhava o Norte. Então me aprece que eu havia feito a curva para o Sul. Algo novo entrou no meu campo de visão. Não muito longe eu vi no espaço um bloco negro gigante de pedra, como um meteorito. Era do tamanho da minha casa, ou maior. Estava flutuando no espaço e eu mesmo estava flutuando no espaço...

Era com se eu tivesse em um êxtase. Eu sentia como se tivesse flutuando no espaço, como se eu tivesse seguro no útero do universo – em um tremendo vazio, mas preenchido com o mais alto possível sentimento de felicidade. “Isso é a graça eterna”, pensei. “Isso não pode ser descrito, e é maravilhoso demais!”.                                                                   

SAIBA MAIS EM: https://www.ihu.unisinos.br/categorias/608304-12-de-abril-de-1961-gagarin-no-espaco-homem-de-fe-morreu-no-ceu-aos-34-anos

 

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