Por THEODIANO BASTOS
A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no
último dia 14, cumpriu 42 mandados de busca e resultou na apreensão de 39
celulares, dos quais cinco pertencem a Vorcaro, o principal alvo das investigações.
PF quebra criptografia e
acessa dados de celular de Vorcaro
Força policial já teve acesso aos dados, que serão
compartilhados com o STF e a PGR
A PF (Polícia Federal) submeteu o celular do dono do
Banco Master, Daniel Vorcaro, a uma ferramenta de quebra de criptografia.
Os dados estão sendo compilados pela força policial
para que sejam compartilhados em breve com o STF (Supremo Tribunal Federal) e
com a PGR (Procuradoria-Geral da República).
Em depoimento, o banqueiro se recusou a fornecer a senha de um aparelho celular de última
geração da linha iPhone.
Segundo relatos feitos à CNN, o aparelho
celular também apresentava uma camada adicional de proteção.
Por isso, o dispositivo eletrônico foi acessado por
meio da ferramenta da força policial, que tem a capacidade ainda de recuperar
informações deletadas.
Recentemente, a Polícia Federal adquiriu novos
softwares com o objetivo de quebrar criptografias avançadas de modelos novos de
celulares.
Toffoli determinou a centralização do
inquérito e a imposição de sigilo ampliado. Essas decisões geraram
questionamentos sobre transparência e possíveis conflitos de interesse por
supostos envolvimentos de pessoas próximas de magistrados em negócios ou prestações
de serviços ao Master.
Analistas
alertam para uma possível blindagem em conexões indiretas. Há indícios de
ligação entre fundos ligados à instituição controlada por Daniel Vorcaro e
empresas que tiveram participação de familiares do ministro Dias Toffoli, por
meio de uma cadeia de investimentos investigada pela PF.
No decorrer das investigações também se gerou
suspeitas sobre a relação entre o banco e o
escritório de advocacia Barci de Moraes, no qual atua Viviane Barci de Moraes,
esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, a
partir de um contrato milionário firmado no fim de 2024 para a defesa dos
interesses da instituição no Banco Central, com a Receita Federal e no
Congresso Nacional.
O acordo, que previa pagamentos elevados ao longo de
três anos, motivou questionamentos entre parlamentares e juristas sobre um
possível conflito de interesses e tráfico de influência, embora investigações
não tenham identificado até o momento registros concretos de atuação do
escritório nos órgãos citados.
Alexandre de Moraes negou qualquer interferência ou
participação no caso, afirmando que jamais tratou de assuntos do Banco Master
com autoridades federais. Apurações mais recentes indicam que, apesar da
existência do contrato, não haveria evidências de envolvimento da advogada ou
do escritório nas supostas fraudes financeiras investigadas.
Contudo, para
analistas, o sigilo quase absoluto e o acesso altamente restrito às provas,
além da instauração de um inquérito por determinação de Moraes para investigar
possíveis vazamentos de informações no Coaf e na Receita Federal envolvendo
magistrados e familiares, podem revelar uma possível cadeia de proteção.
“Sobretudo depois que nomes de pessoas ligadas aos ministros passaram a
aparecer no caso”, alerta o constitucionalista André Marsiglia.
Evidências apreendidas são essenciais
para elucidar suposto esquema
Investigadores
destacam que as novas apreensões, da semana passada, foram cruciais para
complementar o levantamento da primeira fase, na tentativa de identificar os
elos e as sustentações do suposto esquema ilegal envolvendo o Master, Vorcaro e
figuras influentes em Brasília, desde o campo político, de controle financeiro
até o Judiciário.
Um dos principais focos desta etapa recaiu sobre os
celulares e dispositivos eletrônicos do círculo próximo ao banqueiro,
considerados estratégicos para o avanço do inquérito. Investigadores
descrevem esses aparelhos, especialmente os de Vorcaro, como peças-chave com
vídeos, documentos e trocas de mensagens que envolveriam agentes do mercado
financeiro, integrantes da elite política e órgãos de cúpula do Estado, como
tribunais de controle e o próprio Judiciário.
O sigilo e a restrição de acesso aos aparelhos
colocam em xeque a preservação das provas e novas elucidações que poderiam ter
um efeito bombástico. Além de ter encaminhado os aparelhos para a
Procuradoria-Geral da República (PGR), Toffoli indicou nominalmente os quatro
peritos da PF que deveriam acompanhar a extração dos dados.
Inicialmente, o ministro Dias Toffoli, determinou que
todo o material fosse lacrado e enviado ao STF, mas posteriormente reviu a
decisão, estabelecendo que os itens fossem encaminhados à Procuradoria-Geral da República. Toffoli indicou,
nominalmente, quatro peritos da PF que poderão ter acesso para extração das
provas e posteriormente uma equipe de pelo menos 12 peritos da corporação que
depois farão a análise.
Uma das dúvidas é quando esse material vai chegar aos
peritos analisadores. Os quatro peritos apontados por Toffoli são considerados
idôneos pelos colegas, mas não são conhecidos por terem agilidade, segundo
disse uma fonte à reportagem pedindo para não ter o nome revelado por tratar de
assuntos sensíveis.
Os desdobramentos do caso, uma manifestação de
Toffoli com a insatisfação do trabalho da PF e informações sobre a
cadeia de custódia das provas teriam intensificado o mal-estar e o clima tenso
entre PF e o gabinete do ministro.
No desdobramento das investigações, apareceram
informações de contratos milionários da advogada e esposa do ministro
do STF Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com o Master, além
de negócios de parentes de Tóffoli com a instituição. Entre os
alvos esteve um cunhado do banqueiro, apontado por investigadores como possível
operador de empresas usadas para movimentar recursos e dissimular patrimônio.
SAIBA MAIS EM: https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/gustavo-uribe/politica/pf-quebra-criptografia-e-acessa-dados-de-celular-de-vorcaro/
- https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lacre-de-mais-5-celulares-de-vorcaro-pode-travar-conexao-de-provas-e-comprometer-novos-depoimentos/