Segundo uma fonte do governo americano ouvida pela
BBC News Brasil, a gestão do republicano ainda avalia novas medidas
diplomáticas caso o governo brasileiro não autorize a nomeação do novo
embaixador americano.
Rubens
Barbosa, diplomata aposentado e ex-embaixador em Londres e Washington, afirma
que o Brasil jamais enfrentou uma crise diplomática com os Estados Unidos como
a atual ao longo do período republicano.
'Pior momento entre Brasil
e Argentina desde os anos 70'
"Nunca houve isso [a revogação do
visto da embaixadora] na história do Brasil na relação com os Estados
Unidos", disse o ex-embaixador Rubens Barbosa à BBC Brasil.
Da mesma
maneira, diz, apesar de muitos momentos de tensão e desencontro ao longo dos
anos, a relação diplomática entre Brasília e Buenos Aires nunca havia sido
rebaixada desta maneira, pelo menos nas últimas décadas.
"Partidarismos
e ideologia estão tendo um papel muito importante em ambas as crises, e isso
não deveria acontecer. A diplomacia existe para resolver questões pontuais, não
agravar a crise", avalia.
"É um momento gravíssimo para as
relações internacionais do Brasil com EUA e Argentina, e um momento muito
grave, infelizmente, para as relações internacionais na nossa região, nas
Américas", diz.
A crise atual entre Brasil e Argentina foi
impulsionada por comentários feitos por Milei durante o evento de lançamento da
candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República em São Paulo no
mês passado.
"É um momento gravíssimo", diz. "Mas é
positivo que o lado argentino tenha decidido não fazer uma retaliação e tenha
mantido o embaixador em Brasília para tentar normalizar as coisas."
Uma medida 'agressiva' dos EUA
O mais recente, porém, é visto por especialistas como
inédito e um precedente perigoso.
A revogação do visto da embaixadora brasileira Maria
Luiza Ribeiro Viotti segue uma troca de acusações entre os dois países em torno
da aprovação do novo chefe da embaixada dos EUA em Brasília.
O governo também acusou os EUA de adotar medidas
hostis contra o Brasil e de tentar interferir nas eleições do país.
"A decisão de hoje não é um fato
isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil,
motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que
sempre foi pautada pelo respeito mútuo. Fica óbvio também o interesse descabido
de interferir na próxima eleição para presidente", diz um trecho da nota.
SAIBA MAIS EM: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy8e4764z98o.lite
- https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/itamaraty-rebaixa-relacao-com-argentina-apos-milei-renovar-ataques-a-lula.shtml