domingo, 1 de março de 2015

15 DE MARÇO: LULA ESTIMULA O CONFLITO SOCIAL



   15 DE MARÇO: MOVIMENTO #VEM PRÁ RUA

LULA ESTIMULA O CONFLITO SOCIAL
Editorial de “O Estado de São Paulo”
No desespero para salvar o PT de um desastre que a incompetência do governo de Dilma Rousseff torna a cada dia mais grave, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ameaça incendiar as ruas com “o exército do Stédile”, a massa de manobra do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Lula acenou com essa ameaça em evento “em defesa da Petrobrás” promovido na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, pelo braço sindical do PT, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Basta abrir as páginas dos jornais ou assistir ao noticiário da televisão para perceber que a radicalização política começa a levar a violência às ruas das principais cidades do País. De um lado, militantes de organizações sindicais e movimentos sociais, quase sempre manipulados pelo PT, aliados a radicais de esquerda; do outro lado, sectários antigovernistas engajados na inoportuna campanha de impeachment da presidente da República. Esses grupos antagônicos se agrediram mutuamente diante da ABI, pouco antes do evento protagonizado por Lula.
Diante do sintoma claro de que o agravamento da crise política em que o País está mergulhado pode acender o rastilho da instabilidade social, o que se espera das lideranças políticas é que ajam com responsabilidade para evitar o pior. Mas Lula, assustado com a possibilidade crescente do naufrágio de seu projeto de poder, parece disposto, em último recurso, a correr o risco de virar a mesa. Não há outra interpretação para sua atitude no evento.
Em seu discurso, o coordenador do MST, João Pedro Stédile, como de hábito botou lenha na fogueira: “Ganhamos as eleições nas urnas, mas nos derrotaram no Congresso e na mídia. Só temos uma forma de derrotá-los agora: é nas ruas”. É o caso de perguntar o que Stédile quer dizer com “derrotá-los nas ruas”. Mas Lula parece saber a resposta. E aproveitou a deixa, ao falar no encerramento do ato: “Quero paz e democracia. Mas eles não querem. E nós sabemos brigar também, sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele na rua”. Uma declaração de guerra?
A atitude irresponsavelmente incendiária do ex-presidente é coerente com a estratégia por ele traçada e transmitida à militância petista com o objetivo de reverter a repercussão extremamente negativa para a imagem do PT provocada pelo desgoverno Dilma e, em particular, pelo escândalo da Petrobrás. A ideia é, como sempre, transformar o PT em vítima da “elite”, os temíveis “eles” que só querem fazer mal ao povo brasileiro.
Do mesmo modo que para Lula o escândalo do mensalão foi uma “farsa” que resultou na condenação injusta dos “guerreiros do povo brasileiro”, o petrolão é coisa de “meia dúzia de pessoas” para a qual Dilma Rousseff “não pode ficar dando trela”: “O que estamos vendo é a criminalização da ascensão de uma classe social neste país. As pessoas subiram um degrau e isso incomoda a elite”, disse Lula.
Ou seja, o que abala o Brasil não é a ação da quadrilha que, há 12 anos, pilha a Petrobrás e ocupa, para proveito próprio ou do PT, cada escaninho possível da administração pública. Muito menos é a incompetência administrativa demonstrada pelos petralhas que sugam o Tesouro. É – no entender de Lula e companhia bela – a reação dos brasileiros honestos e indignados com a roubalheira e a desfaçatez.
Esse discurso populista pode fazer vibrar a militância partidária manipulada e paga pela nomenklatura petista, mas é inútil para garantir ao PT e ao governo o apoio de que necessitam para tirar o País do buraco em que Dilma Rousseff o meteu ao longo de quatro anos de persistentes equívocos.”
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Clube Militar critica Lula por 'incitar o confronto'
Em nota, entidade acusa ex-presidente de ter agido como 'agitador de rua' em ato no Rio
Para os militares da reserva, ex-presidente exagerou ao reclamar das manifestações contra Dilma Rousseff
DO RIO
As declarações do ex-presidente Lula durante ato pró- Petrobras, na terça (24), provocaram reação da direção do Clube Militar. A entidade, formada em maioria por oficiais da reserva do Exército, divulgou nota em seu site acusando o ex-presidente de ter uma postura de "agitador de rua".
Para os militares, Lula exagerou ao reclamar dos protestos contra Dilma Rousseff.
A nota criticou também o petista por ter citado um "exército" que iria para as ruas sob o comando de João Pedro Stédile, do MST (Movimento dos Sem-terra).
"Esta postura incitadora de discórdia não pode ser de quem se considera estadista, mas sim de um agitador de rua qualquer. É inadmissível um ex-presidente [...] pregar, abertamente, a cizânia."
O presidente do Clube Militar, general Gilberto Pimentel, classificou as declarações de Lula como "inconsequentes". "Não podemos incitar o confronto. [...] Não é hora de ninguém pregar a violência, muito menos um líder como o ex-presidente, discorde-se dele ou não", afirmou.
Luiz Eduardo Oliveira, 46, corretor de imóveis e ativista anti-PT que foi fotografado na terça (24) levando socos e pontapés de militantes petistas no Rio, disse à Folha que "este ano vai ser o das manifestações da direita, pedindo o impeachment da Dilma".
Ele estava com um grupo de 20 pessoas na porta da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) para se manifestar contra o evento com Lula.
Oliveira disse que foi agredido, mas "revidou". Afirmou ainda ter votado em Aécio Neves (PSDB) em 2014, mas que seu candidato ideal ao Planalto seria o deputado Jair Bolsonaro (PP).
Folha de São Paulo, 28/02/2015
(MARCO ANTÔNIO MARTINS E LUCAS VETTORAZZO)

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