sábado, 3 de maio de 2014

PT VERSOS DILMA E PARCEIROS DO MESMO SONHO



PARCEIROS DO MESMO SONHO



Aécio diz que não vê Campos como adversário

Tiago Dantas, O Globo, 03/05/14
“O senador Aécio Neves (PSDB) disse nesta sexta-feira que seus planos para a Presidência da República são muito parecidos com os de outro pré-candidato da oposição, o ex-governador do Pernambuco Eduardo Campos (PSB) e que vê os dois trabalhando “no mesmo projeto de país” a partir de 2015.
Pré-candidata a vice de Campos, a ex-senadora Marina Silva rebateu a aproximação do tucano e declarou que vê “diferenças profundas” entre os dois programas.
Aécio e Campos protagonizaram nesta sexta-feira o primeiro debate entre pré-candidatos à Presidência durante o Fórum de Comandatuba, encontro de empresários organizado pelo Lide na ilha de Comandatuba, na Bahia. A presidente Dilma Rousseff foi convidada, mas informou que não poderia comparecer.
— Não consigo ver o Eduardo como adversário. Somos companheiros do mesmo sonho, queremos a mesma coisa — disse o tucano durante sua apresentação inicial no fórum. Ao final do discurso, ele completou: — Não vejo como, a partir de 2015, não estarmos eu, (Eduardo) Campos e Marina (Silva) no mesmo projeto de País.”
Porquanto sonha que ambos estarão no segundo turno em outubro próximo.




“O PT se sente vítima da presidente Dilma Rousseff – e vice versa. E não há como negar: ambos estão certos. O partido não se sente representado pela presidente, que, egressa do PDT brizolista, não é – jamais foi - uma correligionária genuína. Além disso, foi posta onde está sem jamais ter exercido qualquer cargo eletivo.
Sua vivência em política era tão grande quanto a do ministro Antônio Dias Toffoli na magistratura. E ambos começaram do alto, sob o mesmo patrocínio: Dilma na Presidência, Toffoli no STF.
Lula empurrou-a goela abaixo do partido, furando uma fila de pretendentes, bem mais identificados com as práticas e projetos da sigla. Se fosse uma petista autêntica e vivida, jamais admitiria ter falhado em relação à usina de Pasadena.
Como disse Lula, ao agir por conta própria, dizendo – vejam só – a verdade, Dilma “deu um tiro no pé”. E esse tiro resultou na CPI da Petrobras, que pode jogar no lixo o sonho de continuidade do partido no poder. O PT não a perdoará jamais.
Dilma, por sua vez, paga o ônus pela conduta de correligionários que hoje comparecem mais ao noticiário policial que ao político. Sua candidatura em 2010 pegou carona na popularidade de Lula, que então deixava o governo em ambiente de bonança.
A bonança, no entanto, era aparente. Não estava lastreada em dados sólidos; apenas encobria uma herança maldita, que hoje se expressa por meio do desmantelamento da economia. O Plano Real, que o PT combateu, acabou destruído por ele.
A inflação está de volta, o poder de compra dos salários está corroído, a imagem do Brasil piorou consideravelmente, as instituições políticas conseguiram a façanha de piorar ainda mais sua credibilidade perante o público, as contas públicas estão no bagaço. Até mesmo um evento como a Copa do Mundo, que, em circunstâncias normais, seria fator de euforia no país do futebol, é hoje fator de inquietação política.
Dilma não construiu pessoalmente esse ambiente, que já a aguardava como, na metáfora machadiana, o caroço dentro da fruta. Hoje, se discute se Lula já antevia tudo isso como meio de propiciar seu retorno à Presidência ou se também está sendo vítima do monstro que criou. O “volta, Lula!” não é uma invenção da imprensa, mas uma realidade no meio da militância.
Diz-se que Lula avalia o risco de, voltando, comprometer sua biografia de presidente bem-sucedido. Teria que administrar o fracasso de sua própria obra.
Ano que vem – e isso é consenso na oposição e no governo - é ano de ajustes pesados na economia. Hora da verdade. Lula, se vitorioso – e já não se tem certeza disso -, teria que administrar uma crise com suas digitais, sem bodes expiatórios a quem acusar.
Se isso é verdade – o temor de Lula em voltar -, então o dilema é ainda maior: o PT estaria sem alternativa. Dilma, em queda nas pesquisas, e sem embocadura para empolgar o eleitorado, está cada vez mais próxima de ser substituída. Mas por quem? Os melhores quadros do PT estão na cadeia. Quem hoje espelharia o projeto revolucionário do partido, se Lula ficar de fora?
Permeando esse processo, há a CPI da Petrobras – que, como toda CPI, sabe-se como começa, mas não como termina -, a fragilidade da economia e a própria Copa do Mundo, que se tornou emblema da gastança pública.
Como se não bastasse – em função de tudo isso -, há uma profunda diferença entre esta campanha e a de 2010. Naquela oportunidade, havia em grande parte do eleitorado um desejo de continuidade, que o próprio José Serra, candidato da oposição, tentou faturar, prometendo dar sequência à obra de Lula, “fazendo muito mais”. Hoje, conforme mostram todas as pesquisas, a ânsia é por mudança – ampla, geral e irrestrita.
Dilma tenta cavalgar esse sentimento. E o resultado tem sido tão eficaz como o foi a tentativa de Serra de espelhar o continuísmo lulista em 2010”.
Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/ 03/05/14



Escute-se mais um pouco de Lula: “Nós precisamos, então, voltar a recuperar o orgulho que foi a razão da existência desse partido em momentos muito difíceis, porque a gente às vezes não tinha panfleto para divulgar uma campanha. Hoje, parece que o dinheiro resolve tudo. Os candidatos a deputado nao têm mais cabo eleitoral gratuito. É tudo uma máquina de fazer dinheiro, que está fazendo o partido ser um partido convencional.”
Antes de discursar, Lula trocara um dedo de prosa com o presidente da CUT, Vagner Freitas. Ouvira dele um relato sobre o que sucedera na véspera, nos festejos do Dia do Trabalhador. Na celebração da CUT, os petistas que ousaram se interpor entre a plateia e as atrações musicais tomaram vaias e foram alvejados por latas, garrafas e bolas de papel.
“Eu ouvi do companheiro Vagner, presidente da CUT, hoje, que o 1º de Maio estava muito grande”, discursou Lula. “Mas ninguém queria ouvir falar de político. Não podia citar o nome de político que era vaiado. Então, companheiros, acho que esse é um desafio tão importante e tão grave quanto a gente eleger a Dilma.” 

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“Devagarinho, os políticos vão conseguindo transformar o povo numa espécie de  cão enraivecido. Nos protestos de junho de 2013, parou de abanar o rabo. Na festa de 1º de Maio de CUT, começou a morder.
Um grupo de petistas ousou intrometer-se entre a plateia e as atrações musicais. Ouviram-se vaias. Latas, garrafas e bolas de papel voaram em direção ao palco. Fernando Haddad saiu de fininho. Ricardo Berzoini, Alexandre Padilha e Eduardo Suplicy passaram pelo microfone com a velocidade de um raio. Ficou entendido que a companheirada prefere ouvir música.  queria ouvir música, não lero-lero.” http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/03/05/14

 

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