segunda-feira, 1 de julho de 2013

PRESIDENTE DILMA ESTÁ FICANDO ISOLADA



E AS MANIFESTAÇÕES CONTINUAM
Nem a conquista da Taça das Confederações pelo Brasil tirou o povo das ruas. Hoje, 01/07/13, passando pela Av. N. Sra. da Penha, importante via pública de Vitória/ES, o cenário era desolador. Todas as vidraças de dois shoppings e lojas foram depredadas nas últimas manifestações, foram substituídas por tapumes de compensados. Importantes rodovias federais interditadas, como a BR-101 e 262 e outras estaduais, causando enormes transtornos. Boatos circularam nas redes sociais que haveria greve geral e muitas escolas e repartições públicas não funcionaram na Grande Vitória. E em muitas importantes cidades do país as manifestações foram intensas.
E a presidente Dilma parece perdida e isolada, colhendo os frutos de seu modo ríspido de ser.    



“Dilma não escuta ninguém”, diz Gilberto Carvalho, secretário-geral da presidência, ao ser inquirido pelo senador Blairo Maggi (PR-MT) que quis saber que conselhos Carvalho estava dando a Dilma Rousselff, ao que respondeu: “Não adianta, ela não escuta ninguém. Só ouve o (ministro da educação), Aloizio Mercandante, o (ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Fernando Pimentel e o (marqueteiro) João Santana”.  VEJA, 26/06/13. 
Gilberto Carvalho é o ouvido e os olhos do ex-presidente Lula, presidente adjunto.
 
Vejam as notas a seguir, publicadas no http://www.claudiohumberto.com.br, 01/07/13, envolvendo seu atiro com a Agência Brasileira de Inteligência, ABIN:
 “Abin culpa general por desinformação de Dilma
Acusada de desinformada e por deixar o governo ser surpreendido pelas manifestações de rua, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) se defende. Dirigentes arapongas garantem (em off, claro) que enviam ao Planalto informes que nem sempre contêm boas notícias, por isso não são entregues à presidenta pelo general José Elito, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). É que ele morreria de medo de Dilma.”
Toma que o filho é teu - José Elito sempre devolve à Abin informes sobre temas graves, e pede mais detalhes. Afinal, sem informe, não há despacho com Dilma.
Cautela e caldo de galinha - Amigos do general o consideram cauteloso. Pelo sim, pelo não, o chefe do GSI não mantém despacho privado com a presidenta há meses.
Sim, senhora - O chefe do GSI começou mal no governo, quando Dilma o obrigou a desdizer o que de fato havia dito, contra a Comissão da Verdade.  
Aqui, não - Dilma não parece ter o general em alta conta. Assessores palacianos relatam que certa vez ela o expulsou do seu elevador privativo.
E agora peço aos leitores desse blog que leiam com atenção  a entrevista d Wilson Roberto Trezza,  diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que segue na íntegra:
 Violência de protestos surpreende Abin

Valor Econômico – SP, 28/06/13- Por Maíra Magro | De Brasília

"O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Wilson
Roberto Trezza, diz que a agência produziu mais de 110 relatórios
sobre a Copa das Confederações e já havia detectado a possibilidade de
manifestações no país meses antes dos jogos. Para cuidar dos grandes
eventos, a Abin criou Centros de Inteligência Regional em cada cidade
sede, comandados por um Centro de Inteligência Nacional em Brasília.
Segundo Trezza, todos os relatórios foram repassados aos governos
estaduais e ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da
Presidência da República.

O tamanho dos protestos, porém, não foi dimensionado com antecedência,
nem o grau de violência. “Inteligência não é adivinhação nem exercício
de futurologia”, justifica o chefe da Abin. Ele diz não saber se a
presidente foi pessoalmente prevenida dos protestos, pois a agência só
se reporta diretamente GSI, por meio de seu ministro-chefe, o general
José Elito Siqueira. “Não despacho com a presidenta.”

Valor: A Abin antecipou que haveria manifestações?

Wilson Roberto Trezza: Por ocasião das avaliações de risco já havíamos
detectado, há meses, a possibilidade de manifestações. Tempos atrás
nós alertávamos que haveria a possibilidade de manifestações desse
grupo “Copa pra Quem?”. Em todos os lugares do mundo onde se realizou
um grande evento aconteceram manifestações, não é privilégio do
Brasil.

Valor: Outros grupos já tinham sido identificados?

Trezza: Que poderiam participar de manifestações, sim. Mas essa grande
manifestação surgiu principalmente de um crescimento absolutamente
inexplicável e inesperado do Movimento Passe Livre. Se você me
perguntasse no primeiro dia, em que 200 pessoas se reuniram, se eu
seria capaz de dizer que, uma semana depois, teríamos 300 mil pessoas
na Candelária [no Centro do Rio de Janeiro], ninguém seria capaz de
dizer. Inteligência não é adivinhação nem exercício de futurologia, é
uma atividade técnica. Você trabalha com base em dados disponíveis.

Valor: O risco de manifestações nessa proporção e com atos de
violência e vandalismo chegou a ser comunicado ao governo federal?

Trezza: Não chegou a ser comunicado ou estimado com meses ou anos de
antecedência, mas à medida que começou a acontecer o primeiro evento,
a inteligência começou a perceber o potencial de crescimento.

Valor: Alguma informação foi passada à Presidência da República?

Trezza: Nós temos inteligência para uso tático e operacional, e temos
a inteligência estratégica, de Estado. Esta interessa ao grande
processo decisório. No nível estratégico, elaboramos relatórios de
inteligência. Os dados são encaminhados ao Gabinete de Segurança
Institucional (GSI) da Presidência da República, a quem somos
subordinados.

Valor: Como o GSI trata esses dados?

Trezza: O GSI difunde os dados para as áreas que têm responsabilidade
sobre esses assuntos. Determinado assunto pode ser de interesse de um
ou outro ministério, da Casa Civil, da Presidência da República… Vai
depender da avaliação do GSI.

Valor: Como essas manifestações representam um risco político, não
seriam objeto de interesse da Presidência?

Trezza: Eu posso encaminhar o relatório de inteligência para o
ministro-chefe do GSI e ele entender que não precisa necessariamente
entregar o relatório, ou ele pode reportar o fato à presidenta da
República. Agora, se me perguntar quais dos cento e poucos relatórios
que produzimos foram encaminhados ou se sentaram pra conversar, não
sei dizer.

Valor: O senhor não sabe se a presidente estava a par dessa situação
de dimensões inesperadas?

Trezza: Ainda que a presidenta não recebesse nosso relatório, se
quatro ou cinco ministros envolvidos na questão receberem, isso será
objeto de deliberação. Essas informações foram trocadas com todas as
estruturas envolvidas com os grandes eventos.

Valor: Como é essa estrutura?

Trezza: Hoje temos três grandes estruturas envolvidas com os grandes
eventos: a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes
Eventos, do Ministério da Justiça, que cuida de todos os aspectos
voltados para a segurança pública, além das áreas estaduais e federais
de segurança. Eles criaram Centros Integrais de Comando e Controle, um
nacional e centros regionais para cada cidade sede. A Defesa criou
Centros de Comando de Defesa de Área, nas cidades sede, em que
participam Exército, Marinha e Aeronáutica. Nós criamos um modelo
semelhante, um Centro de Inteligência Nacional, na Abin, em Brasília,
em que estão todos os representantes do Sistema Brasileiro de
Inteligência, composto por 35 órgãos representantes de 15 ministérios,
e também temos a presença de órgãos da segurança e da defesa. E
criamos em cada cidade sede um Centro de Inteligência Regional, para o
qual convidamos inclusive o município, como a área de trânsito, a
guarda municipal…

Valor: A Copa das Confederações transformou-se em vitrine para os
protestos. O que a Abin já produziu em relação à Copa das
Confederações?

Trezza: Já produzimos mais de 110 documentos. A inteligência é sempre
a primeira que começa a funcionar. Instalamos nossos centros no dia 15
de maio deste ano. A partir de 10 de junho, começamos a trabalhar 24
horas por dia. Durante o evento fazemos avaliação de risco “a quente”.

Valor: Como foram usados esses relatórios?

Trezza: A Abin difundiu todos os relatórios para todas as áreas de
segurança e defesa. Uma das competências em relação à Copa das
Confederações é elaborarmos uma avaliação de risco. De 2011 pra cá,
fizemos uma média de oito para cada cidade-sede. As avaliações de
risco que fizemos um ano atrás, seis meses atrás, foram encaminhadas,
e em alguns casos eu estive pessoalmente com o ministro-chefe do GSI,
e entregamos nas mãos dos governadores de Estado. A Abin tem uma
superintendência em cada Estado e os órgãos dos Estados foram
convidados a trabalhar conosco.

“As grandes manifestações surgiram de um crescimento absolutamente
inexplicado e inesperado do Passe Livre”

Valor: Que tipo de risco foi identificado?

Trezza: Temos dificuldade, por exemplo, com vias de acesso, em
eventual necessidade de evacuação do estádio. De maneira geral, os
estádios no Brasil não foram concebidos para os grandes eventos,
alguns ficam no centro da cidade. O que fazemos é prever todas as
situações que poderiam configurar risco ou dificuldade, e sugerimos
soluções para mitigar ou eliminar o risco. Levantamos potenciais
vulnerabilidades das infraestruturas estratégicas, na rede hoteleira,
nos trajetos percorridos pelas delegações, nos centros de treinamento,
nos estádios.

Valor: Havia alguma previsão da possibilidade de vaia à presidente
Dilma na abertura da Copa das Confederações, em Brasília?

Trezza: Havia. Isso aconteceu no Panamericano, já virou praxe. Mas eu
acho que as pessoas estão dando uma importância muito grande para a
vaia. Eu estava no estádio, o público vaiou até a seleção brasileira.
Qualquer pessoa que estivesse responsável pela abertura do evento
possivelmente seria vaiada.

Valor: Essa previsão foi comunicada diretamente à presidente?

Trezza: Eu não despacho com a presidente da República.

Valor: O senhor comunicou ao GSI?

Trezza: Sim, nós conversamos sobre esses assuntos durante reuniões,
todo dia temos reuniões. Certamente deve ter chegado.

Valor: Há relatos de que a presidente estaria descontente com os
órgãos de inteligência e de segurança.

Trezza: Eu li isso nos jornais e logicamente tentei me inteirar. Nunca
me reportaram isso e ninguém nunca confirmou.

Valor: Não há desgaste?

Trezza: Quero acreditar que não. Nunca fui comunicado de qualquer tipo
de desgaste.

Valor: O fato de o GSI não ter sido chamado para discutir respostas do
governo às manifestações foi interpretado como sinal de descrédito, de
que a inteligência do governo não funcionou.

Trezza: O que eu percebo é que a presidenta não quer envolver o
gabinete pessoal nessas questões. O GSI faz a segurança pessoal, não
se envolve na segurança das manifestações ao redor dos estádios.
Independentemente dessa decisão tomada em nível político, o GSI é um
gabinete técnico, ele não deveria necessariamente estar lá. É uma
decisão da presidenta, só ela poderia dizer, mas interpreto dessa
maneira.

Valor: Como a Abin monitora as manifestações?

Trezza: Temos profissionais colhendo dados por uma série de formas.
Saindo à rua, através do que acontece nas redes sociais, pelo sistema
[de inteligência], ou informantes. Também recebemos denúncias, até
anônimas.

Valor: A Abin criou um grupo para monitorar as redes sociais por causa
das manifestações?

Trezza: Que nós tivemos que montar às pressas um grupo para monitorar
redes sociais? Não tem nada disso.

Valor: Tem um grupo de monitoramento permanente?

Trezza: Não temos uma área específica na Abin que passa o dia inteiro
na frente do computador fazendo isso. Em cada área de inteligência, se
o profissional tiver a necessidade de consultar informações nas redes
sociais, ele vai lá e faz essa observação, volta e continua seu
trabalho.

Valor: E-mails e comunicações privadas são monitoradas?

Trezza: A rede social se tornou hoje um espaço público de divulgação.
Se olhar o que está sendo veiculado na rede é monitoramento, digo que
nós fazemos. É diferente de entrar no seu e-mail, Facebook, isso nós
não fazemos.

Valor: As manifestações continuarão ocorrendo?

Trezza: Pelos dados que temos hoje, continuarão. Mas amanhã,
dependendo das medidas adotadas pelo Congresso e pelo Executivo, isso
pode não ser mais verdadeiro. Temos previsões de grandes paralisações
do início de julho até o dia 10 a 13.

Valor: O pacto anunciado pela presidente ajuda?

Trezza: Quando a presidente recebeu os, em tese, representantes dos
movimentos, você percebeu que já no dia seguinte as manifestações não
foram tão intensas. Mas o que não cai de intensidade, porque não
depende de atender ou não os anseios da sociedade, é aquele grupo que
comparece para fazer vandalismo, cometer atos de ilegalidade.

“Pelos dados que temos hoje, as manifestações continuarão. Temos
previsões de grandes paralisações até 10 a 13 de julho”

Valor: Há infiltração de grupos criminosos organizados nesses protestos?

Trezza: Existem alguns informes, nos quais o grau de certeza não é
absoluto, de que facções também querem se aproveitar desses movimentos
para desenvolver suas ações… No Rio, a própria área de segurança e
defesa percebe que a criminalidade organizada, milícias, se
aproveitaram desses movimentos para desenvolver algumas atividades,
atos de vandalismo, saques… Em São Paulo também. Mas se me perguntar
se isso se confirmou, não posso garantir. Nosso papel é alertar sobre
a possibilidade.

Valor: Qual a estrutura e o orçamento da Abin hoje?

Trezza: O efetivo é uma informação estratégica. O orçamento beira R$
600 milhões por ano, está publicado no “Diário Oficial da União”.
Retirando despesas com pessoal, sobram pouco mais de R$ 50 milhões. Se
você dividir por 12 meses, 26 superintendências e mais as pessoas no
exterior, vê a mágica que temos que fazer.

Valor: A estrutura é insuficiente?

Trezza: Precisaríamos de uma estrutura melhor. Já trabalhei em várias
áreas de governo e na iniciativa privada, e todo mundo luta para ter
mais efetivo. Agora, o Brasil é o único país no mundo onde o
recrutamento para a inteligência é feito por concurso público.

Valor: É um problema?

Trezza: Acho que realizamos o sonho de qualquer serviço de
inteligência, o de infiltrar alguém no serviço do outro, mesmo os
amigos. Como aqui trabalhamos com concurso público, basta você
recrutar alguém aí fora com boa formação acadêmica e pedir que faça o
concurso da Abin.

Valor: Então há agentes estrangeiros infiltrados na Abin?

Trezza: Não estou dizendo isso. Temos uma área de contraespionagem.
Toda vez que fazemos um concurso público, temos que fazer um
acompanhamento, e no nosso edital está prevista uma investigação
social antes da pessoa entrar. Já tivemos indícios de tentativa de
aproximação de serviços de inteligência de outros países a candidatos
ao concurso da Abin, mas identificamos com antecedência e não se
concretizou.

Valor: A nomeação de outros funcionários do governo federal passa pela Abin?

Trezza: As nomeações para cargos públicos, a partir do DAS-4, passam
por aqui. A Casa Civil submete os nomes e fazemos [a checagem]. Mas
ela não é obrigada a mandar.

Valor: Que tipo de investigação é feita, exatamente?

Trezza: Levantamos dados disponíveis sobre a pessoa, como a existência
de processos administrativos ou judiciais, além de informações do
Sistema Brasileiro de Inteligência.

Valor: Nos Estados Unidos, fazem um “background check” em que
entrevistam até vizinhos…

Trezza: Se necessário, podemos fazer entrevistas. Mas a Abin não barra
nenhuma nomeação, somente coleta os dados.

Valor: A Abin tem quantas subunidades no país?

Trezza: Já chegamos a ter 12 e hoje estamos com cinco, em municípios
considerados estratégicos: Tabatinga (AM), na Amazônia; Foz do Iguaçu
(PR), por causa da tríplice fronteira; Campinas (SP), porque é um polo
de desenvolvimento de indústria, tecnologia. Temos ainda uma em São
Gabriel da Cachoeira (AM), uma região de fronteira; e outra em Marabá
(PA), criada na época de grandes problemas com o garimpo. Há
preocupações com o tráfico de entorpecentes, de armamentos, a entrada
de estrangeiros, desmatamento, garimpo em terra indígena ou em outras
áreas, contrabando de pedras…

Valor: E a hidrelétrica de Belo Monte?

Trezza: Todas as obras do PAC são de interesse do Estado brasileiro, e
se pudermos contribuir com informações sobre algo que ameace a
concretização dessas obras, produzimos relatórios de inteligência.

Valor: Os que protestam contra essas obras são monitorados, como os índios?

Trezza: Nós não fazemos monitoramento de pessoas, a não ser que esteja
fazendo algo ilegal. Se eu tiver que dizer que você participou ou está
promovendo uma manifestação contra a construção da hidrelétrica de
Tapajós, eu vou dizer. Agora, para isso não preciso acompanhar sua
vida, monitorar seu telefone, sua internet, fazer alguém se passar por
outra pessoa para se aproximar de você. Às vezes, a informação é
importante até pra saber com quem se comunicar, quem chamar para um
diálogo.

Valor: A Abin tem equipamentos para grampos telefônicos, como o Guardião?

Trezza: Não. Por lei, somos proibidos de fazer interceptação de
comunicações e escuta ambiental. Tenho equipamento de varredura,
inclusive para a própria defesa.

Valor: Como foi a operação da Abin no porto de Suape, em Pernambuco,
que teria identificado que um movimento sindical ligado ao governador
Eduardo Campos (PSB) poderia fazer uma greve geral?

Trezza: É uma coisa absolutamente fantasiosa. Quem está te falando é o
diretor-geral da Abin e isso não aconteceu.

Valor: Quatro agentes da Abin foram presos?

Trezza: Os quatro agentes nem estiveram no porto no dia 11 de abril.
Tanto o GSI quanto a Abin emitiram notas públicas a respeito do fato.
Nós temos uma postura e um valor. A atividade de inteligência, por
definição, tem que ser apolítica e apartidária. Nós não temos a
inteligência do PT, como não tínhamos a do PSDB, nós temos a
inteligência de Estado, que está à disposição dos sucessivos governos.
Fazemos questão absoluta de não ter envolvimento político.

Valor: Mas esses agentes foram ao porto de Suape alguma vez?

Trezza: Sim, já foram. Mas eles nunca estiveram no porto os quatro de
uma só vez.
Valor: O que eles foram fazer?
Trezza: Infraestrutura estratégica é um dos motivos de acompanhamento
estratégico da inteligência.




“Ufa! Recado dado, pacote providenciado. O recado: a tolerância chegou ao limite. O copo da velha política transbordou.

Chega de aceitar a banalização do mal, estampada na fila de criminosos sem punição, corrupção desenfreada, promessas não cumpridas, representantes que pouco representam e governantes que não praticam a governança, por agirem apenas como gerentes ou por serem vistos como galhos da árvore patrimonialista.

Velhos presentes continuarão a ser bem aceitos, principalmente aqueles que se destinam a saciar a fome. Exemplo é o Bolsa-Barriga, fruto do programa que abastece o estômago de 40 milhões de pessoas sob o abrigo de 13 milhões de famílias.

A mensagem principal do recado é que o ronco da barriga subiu à cachola, abrindo um ciclo de novas percepções. A sociedade clama, agora, por um Bolsa-Cabeça. Essa é a notícia alvissareira que se extrai da movimentação de massas que sacode o país.

Fica patente que barriga satisfeita pode, até, cooptar a harmonia social e sustar a indignação por um tempo. Não, porém, por todo o tempo. A inteireza do corpo social requer também uma cabeça capaz de racionalizar, avaliar, exigir, cobrar, portanto, pronta para reescrever sua história.
O espetáculo das ruas tem também esse significado. Saciada a fome das margens muito pobres, garantida a inserção de um novo contingente no meio da pirâmide, afloram, agora, as clamadas demandas nas áreas da saúde, educação, transportes públicos e segurança pública. Por que só agora? Se as reivindicações são tão antigas por que deram um susto em gregos e troianos, centrais e suburbanos? Há explicações.
A travessia de uma Nação obedece a um processo que envolve grandes movimentos de massa, com efeitos absorvidos pelas instituições, ou revoluções, que acabam rompendo a velha ordem.
Avanços sem rupturas na fisionomia democrática ocorrem de maneira lenta e gradual, particularmente no seio de democracias consolidadas. Instituições fortes não desmoronam ante os rebuliços da contemporaneidade.
Vejamos o caso brasileiro. Nossa democracia é incipiente. O país dispõe da mais democrática Constituição de sua história, plasmada para acolher uma visão plural da sociedade. Mesmo assim a caminhada brasileira depara-se com muitos desvios.
Há buracos ainda não preenchidos pela legislação infraconstitucional, ensejando situações que empurram a Corte Suprema para a esfera política, conforme se constata pela interpretação que oferece sobre matéria de fundo político. Deriva daí a questão sobre a “judicialização da política”.

Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive - Henry L. Mencken.
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