domingo, 7 de julho de 2013

O URRO DAS RUAS



 A ebulição política não para e agosto ainda não chegou...!


A revista VEJA de 26/06/13 trouxe a excelente reportagem de capa “Os sete dias que mudaram o Brasil” e entre as cartas publicadas, destaquei:
“O recado das ruas é claro: ‘Senhores políticos, devolvam o Brasil aos brasileiros!’”, diz Ricardo C Siqueira, Niterói/RJ

“O movimento feito até agora por todo o Brasil ainda não será suficiente para acordar essa turma do mal, que é a maioria dos políticos, notadamente essa turma do PT. O país deve se preparar para uma revolução inédita nunca vista no mundo”, diz o leitor de Veja, Romário Vargas, Vitória/ES

“Que os sentimentos e motivações que nos levaram às ruas nos acompanhem às urnas nas próximas eleições. Aí, sim, consideráveis mudanças ocorrerão”, diz José Antônio Afonso de Oliveira, São Mateus/ES.

“Falta converter esse descontentamento popular em voto consciente diante da urna eletrônica nas eleições de 2014”, diz Robson Sant’Anna de São Paulo/SP

E Delfim Netto: “Os governos não atenderam às prioridades da população. Ela queria metrô, não estádios. O povo recusou as prioridades dos governos. É tão simples quanto isso. O Delfim é otimista (“O movimento das ruas está na direção civilizatória”)

 Fera ferida, por Mary Zaidan

“Desde que a inflação começou a mostrar dentes cada vez mais afiados e o incômodo grito de descontentes tomou as ruas, tornou-se praticamente impossível manter os disfarces que encobriam o autoritarismo e a soberba da presidente Dilma Rousseff.
Se mesmo em tempos de popularidade recorde, de Brasil grande, de massas manobradas, já era difícil aturar a fera, agora aliados e o próprio PT já não escondem o desalento nem a ira. Nessa ordem, ou vice-versa. Até o padrinho Lula sumiu.
Lançada à sua própria sorte e sem vislumbrar qualquer chama tênue capaz de clarear o fim do túnel, Dilma tem se superado na brabeza. Na quinta-feira, ao sentir seu poder de mando ameaçado, sua fúria foi tamanha que ela obrigou o vice Michel Temer e o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo a desdizerem o dito óbvio, feito horas antes, sobre a inviabilidade de se realizar às pressas um plebiscito e uma reforma política válida para as eleições de 2014.
A emenda se mostrou pior que o soneto. Assim como o remendo para consertar a equivocada Constituinte exclusiva que a presidente lançara, o pito só fez desafinar ainda mais uma orquestra que ela jamais conseguiu reger; que a engoliu, mas nunca gostou da sua batuta.
Quando fecha os olhos, Dilma deve sonhar com um batalhão de Guidos Mantegas a lhe sussurrar cantigas de roda enquanto o funk pega firme lá fora.
Mantega, o ministro da Fazenda do país imaginário, que no seu faz-de-conta insiste em dizer que o Brasil vai crescer 3%, a inflação não escapará da meta e as contas públicas estão equilibradas. Que, mesmo vendo o IPCA bater em 6,7%, comemora, como criança que ganhou um doce, a inflação quase zero dos alimentos. Que anuncia a suspensão parcial da desoneração para a linha branca poucos dias depois de a presidente dar crédito para os beneficiários do Minha casa, minha vida na compra de geladeira, fogão e máquina de lavar. Que não tem pudor em dizer que impostos podem subir.
Como se vê, não é só por teimosia que Dilma quer Mantega. Ele a afaga.
Também não se pode dizer que é teimosia da presidente a insistência no plebiscito. Bem ou mal, o tema lhe é bastante útil – senão o único – para tergiversar, para tentar escapar do centro do furacão.
Seguindo o script da marquetagem, Dilma diz ter ouvido a voz das ruas, que crê na “inteligência do povo brasileiro”; que “não é daqueles que não acredita que o povo é incapaz de entender [o plebiscito] porque as perguntas são complicadas”.
Se algum faro tivesse, saberia que as ruas continuam lhe dizendo o inverso. Complicadas, Dilma, não são as perguntas, mas as respostas que o governo insiste em dar.”                                             Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/
GREVE GERAL DIA 11/07
O governo está totalmente confuso, sem capacidade de reação ao que achava que nunca aconteceria. Ele construiu um mundo de fantasia para a propaganda política e, vê-se agora, acreditou nele.
O mínimo que se esperava é que, diante do inesperado e da gravidade da situação, a presidente fizesse consultas. Se não pode, por já ter antecipado o calendário eleitoral, consultar a oposição, que ouvisse integrantes dos outros poderes sobre a viabilidade das ideias antes de lançá-las como resposta oficial.
A época de manifestações de rua também tem dois tempos. O primeiro foi espontâneo, sem líderes realmente influentes, antipartidário. Foi um desabafo, uma reclamação generalizada contra a ineficiência administrativa de governantes de níveis diferentes e de vários partidos. Claro que o peso maior da reclamação cai sobre quem tem mais poder, a presidente, mas era um aviso aos políticos de que há muita insatisfação.
A segunda etapa das manifestações pode ser de quem pegou carona na onda. De um lado, o movimento dos caminhoneiros com indícios de lockouts (greve de patrões), com prejuízo visíveis para toda a população, e agora está se preparando para entrar em cena o movimento sindical tradicional.
Esse o governo conhece bem, não o teme porque, de uma forma ou de outra, o controla. Ou porque são sindicatos e centrais amigas ou porque são de uma forma ou de outra dependentes de dinheiro público.
Sua pauta é conhecida e estava na gaveta à espera de uma boa oportunidade. Por isso, o presidente do PT, Rui Falcão, já se animou a chamar a militância para participar da manifestação proposta pelos sindicatos.”
JOÃO BOSCO RABELLO - O Estado de S.Paulo, 07/07/13
“Prognósticos, quando contaminados por interesses próprios ou baseados em teses questionáveis, tendem ao descrédito dos meros exercícios de futurologia. Fossem outras as circunstâncias da crise ainda por ser enfrentada pelo governo da presidente Dilma Rousseff, talvez coubesse a avaliação de que as dúvidas quanto à sua capacidade de reação não passassem de torcida da oposição, obviamente motivada pelo seu insucesso.
Mas não é da oposição o coro mais sonoro contra a forma escolhida pelo Planalto para responder aos protestos da população. É a base de sustentação do governo que grita mais alto, incluindo o partido que lhe deve mais fidelidade, o PT, por ser aquele pelo qual se elegeu e para o qual representa (ou representava) a possibilidade concreta de continuidade daquilo que abstratamente classifica como o "nosso projeto".
Os ares de desembarque da base aliada, mais nítida no súbito desdém do PMDB pelos cargos que ocupa, se explicam na leitura política consensual nos partidos sobre as chances de reversão dos índices negativos da presidente. As consideram remotas, menos pela possibilidade, em si, de uma virada, e mais por não criar expectativas positivas nos agentes econômicos e políticos.
Os partidos trabalham com números, contas e cenários, nessa ordem, a partir dos quais traçam perspectivas. Não desprezam o otimismo do publicitário João Santana, mas não acreditam em receitas de marketing para salvar o governo. Suas contas indicam que um quadro otimista de recuperação poderia devolver Dilma ao patamar dos 40% de ótimo e bom, insuficientes para resgatar seu favoritismo em 2014.
Com tal índice corre o risco de não chegar ao segundo turno e a resistência de seu governo em fazer as pazes com o mercado - até hoje um ente abstrato para ela e o PT - reforça a descrença de que possa ir além. Lembram que a queda nos índices já fora registrada antes dos protestos de rua e atribuída à percepção da inflação, através da alta dos preços.
Por isso, o recomendável seria que o governo se concentrasse em suas próprias reformas - da economia e ministerial - ao invés de se apropriar daquelas inerentes ao Legislativo, para indispô-lo com a população (até porque, não precisa, como atestam os jatinhos para casamento e futebol).
A dificuldade é que, embora simbolismos sejam importantes , agora não bastam: uma reforma ministerial, cobrada pela base, teria que se traduzir em requalificação do ministério e não em simples troca coletiva para gerar impacto.
Operação que impõe à presidente coragem para a ruptura com o modelo de seu partido - populista e orientado pela obsessão hegemônica.”
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-escolha-de-dilma-

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