sexta-feira, 12 de julho de 2013

GREVE GERAL ERA MESMO CHAPA-BRANCA



Pérolas no Blog do Josias http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/ (12/07/13):
Excluídas das passeatas de junho, as centrais sindicais e seus penduricalhos (UNE, MST, PT, PCdoB, PDT e etcétera) organizaram o seu próprio ‘Dia Nacional de Luta’. Isso foi ótimo. Ajudou a explicar por que a rapaziada refugou a ‘solidariedade’ da pelegada partidário-sindical. São muitas as diferenças entre os dois movimentos. A principal delas é a forma como os dois grupos se relacionam com os cofres públicos. Um entra com o bolso. Outro usufrui. Vai abaixo uma tentativa de distinguir o novo do antigo:
A rapaziada é o bolso. A pelegada é imposto sindical.
A rapaziada é coxinha. A pelegada é pastel-de-vento.
A rapaziada é sacolejo. A pelegada é tremelique.
A rapaziada é YouTube. A pelegada é videoteipe.
A rapaziada é Facebook. A pelegada é assembléia.
A rapaziada é máscara de vingador. A pelegada é cara de pau.
A rapaziada é viral. A pelegada é bactéria.
A rapaziada é chapa quente. A pelegada é chapa branca.
A rapaziada é sociedade civil. A pelegada é sociedade organizada.
A rapaziada é banco de praça. A pelegada é BNDES.
A rapaziada é a corrida. A pelegada é o taxímetro.
A rapaziada é asfalto. A pelegada é carro de som.
A rapaziada é horizonte. A pelegada é labirinto.
A rapaziada é fumaça. A pelegada é cheiro de queimado.
A rapaziada é explosão. A pelegada é flatulência.
A rapaziada é o público. A pelegada é a coisa pública.
A rapaziada é combustão espontânea. A pelegada é ignição eletrônica.
A rapaziada é luz no fim do túnel. A pelegada é beco sem saída.
A rapaziada é pressão popular. A pelegada é lobby.
A rapaziada é farinha pouca. A pelegada é meu pirão primeiro.
A rapaziada é terra em transe. A pelegada é cinema novo-velho.
A rapaziada é o desejo de futuro. A pelegada é o destino-pastelão.
A rapaziada é namoro. A pelegada é tédio conjugal.
A rapaziada é grito. A pelegada é resmungo.
A rapaziada é algaravia. A pelegada é palavra de ordem.
A rapaziada é poesia. A pelegada é pedra no caminho.
A rapaziada é dúvida. A pelegada é óbvio ululante.
A rapaziada é Fora Renan. A pelegada é o bigode do Sarney.
A rapaziada é abaixo a corrupção. A pelegada é a perspectiva de inquérito.
A rapaziada é mistério. A pelegada é indício.
A rapaziada é a alma do negócio. A pelegada é o segredo.
A rapaziada é novidade. A pelegada é o mesmo.
A rapaziada é anormalidade. A pelegada é vida normal.
A rapaziada é impessoal. A pelegada é departamento de pessoal.
A rapaziada é decifra-me. A pelegada é devoro-te. 
De nada adiantaram as liminares para não interditarem as estradas; estradas federais, estaduais e  principais vias públicas da maioria das cidades foram fechadas por pequenos grupos com pneus queimados, casando enormes transtornos, impedindo o direito de ir e vir dos cidadãos e houve muitas depredações.
  
“Jovens receberam até R$ 50, mais transporte; entidades negam oferta
Denunciam os jornalistasTatiana Farah e Gustavo Uribe - 11/07/13
SÃO PAULO — Na tentativa de engrossar o ato desta quinta-feira na Avenida Paulista, centrais sindicais usaram de um artifício recorrente durante nas campanhas eleitorais: o pagamento de claques para portar bandeiras, usar camisetas e carregar balões. A iniciativa não resultou, contudo, em aumento relevante do público. As centrais sindicais negaram que contrataram claques, mas O GLOBO localizou diversos jovens que foram pagos durante a mobilização.
Vitor Hugo Correia, de 17 anos, por exemplo, admitiu que recebeu R$ 50 da Força Sindical para portar um dos balões da entidade sindical. O jovem e seus amigos, do bairro de Artur Alvim, da periferia de São Paulo, disseram ter sido contratados por um sindicato filiado à Força Sindical. Com camiseta e bandeira da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Viviane Araújo, de 18 anos, disse ter sido paga para participar do ato.
— Eu recebi R$ 30 reais para vir aqui. Eles pagaram nosso transporte e disseram que o dinheiro era para a gente comer aqui — contou Viviane.
Nem bem o ato havia acabado, pessoas com a camiseta da União Geral dos Trabalhadores (UGT) faziam fila em uma das ruas ao lado do Museu de Arte de São Paulo. Um dos jovens, que assinava uma ficha da entidade sindical, disse ter recebido R$ 50 para estar no protesto. O estudante secundarista Alex da Silva, de 20 anos, e seu amigo Jorge Robério Pereira, de 15 anos, também foram pagos. Eles receberam R$ 50, além do pagamento de transporte e de alimentação, da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB).”
'Manifestantes' ganham até R$ 70 para ir a ato sindical na Paulista
Também os jornalistas: PAULO GAMA, RICARDO GALLO e FLÁVIO FERREIRA, DE SÃO PAULO (12/07/13), denunciaram.
“Numa rua atrás do Masp, um grupo de 80 pessoas com camisetas da UGT (União Geral dos Trabalhadores) espera em fila a vez de preencher um papel. Trata-se do recibo de que ganharão R$ 70 por terem participado, vestidos como militantes, do ato de ontem na avenida Paulista.
A Folha presenciou a entrega do recibo, que se deu por volta das 15h, quando a manifestação acabou.
Mulheres de 30 e 40 anos e rapazes com aparência de pós-adolescentes entregavam uma pulseira numerada que usaram na manifestação a um homem de agasalho, que perguntava o nome da pessoa, preenchia o recibo e o entregava aos presentes.
No documento, consta que o pagamento é uma ajuda de custo para alimentação e transporte. Na parte de cima do papel, há impressa a data e o nome da manifestação: "11 de julho - Dia de Luta".
Em duas ocasiões, pessoas que organizam o grupo abordaram a reportagem e pediram para que deixasse o local.
Na fila, as pessoas confirmaram que não tinham relação com sindicatos filiados à UGT e que foram ao ato apenas para receber os R$ 70. Com medo de represálias, não quiseram dar o nome.
A UGT é presidida por Ricardo Patah, sindicalista filiado ao PSD, partido do ex-prefeito Gilberto Kassab. Ele negou que a central tenha pago manifestantes.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/07/
Paulo Guedes, O Globo
A percepção popular de que sobram privilégios e falta responsabilidade à classe política ressoa na voz das ruas. No exato momento em que o povo reclama do desconforto diário e do alto custo para chegar ao trabalho e voltar para casa, gastando muito tempo e dinheiro com transportes públicos, os presidentes do Senado e da Câmara e o ministro da Previdência Social usam jatinhos da FAB para programações sociais com amigos e familiares.
É cada vez mais perturbadora a insensibilidade dos políticos aos desafios de uma democracia representativa diante de inovações tecnológicas como as redes sociais. Nesta nova era de transparência e responsabilização na condução de atividades públicas, há fotos e testemunhos de seus abusos da coisa pública em tempo real.
“A escalada dos impostos tornava os privilégios dos aristocratas mais evidentes e ofensivos ao restante da população. A centralização burocrática do poder político e dos recursos financeiros enfraqueceu também a legitimidade dos poderes locais. A manutenção dos privilégios e a ausência de responsabilidades destruíram a legitimidade da aristocracia”, diagnosticava Alexis de Tocqueville, em seu clássico “O Antigo Regime e a revolução” (1856).
“À medida que a opinião pública se inflama, o Parlamento avança sobre assuntos políticos, mas o governo central e seus agentes, com requintes aperfeiçoados pela experiência de ocupação da máquina pública, usurpam ainda mais poderes administrativos.”
Em seu capítulo VII, intitulado “Como a capital da França adquiriu preponderância sobre as províncias e usurpou ainda mais poderes para controlar a nação”, Tocqueville refere-se a uma carta escrita a um amigo por Montesquieu em 1740: “A França não é mais do que Paris e as poucas distantes províncias que Paris ainda não teve tempo de engolir.” Há uma crise de representatividade no ar. A social-democracia hegemônica não ousou enfrentar o Estado do Antigo Regime. Ante o desafio das reformas, preferiu aliar-se aos conservadores. Mesmo em sucessivas tentativas de estabilização, esteve sempre ausente a dimensão fiscal.
As alianças PSDB-PFL e PT-PMDB são o testemunho de uma transição incompleta do Antigo Regime para a Grande Sociedade Aberta. O abraço de Lula, Maluf e Sarney explica tudo.”           Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/
O caráter das novas manifestações
Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor.
“Estou fora do país, na Europa, a trabalho e constato o grande interesse que todas as mídias aqui conferem às manifestações no Brasil. Há bons especialistas na Alemanha e França que emitem juízos pertinentes. Todos concordam nisso, no caráter social das manifestações, longe dos interesses da política convencional. É o triunfo dos novos meios de congregação que são as mídias sociais.
O grupo da libertação e a Igreja da libertação sempre avivaram a memória antiga do ideal da democracia, presente nas primeiras comunidades cristãs até o século segundo, pelo menos. Repetia-se o refrão clássico: "o que interessa a todos, deve poder ser discutido e decidido por todos". E isso funcionava até para a eleição dos bispos e do Papa. Depois se perdeu esse ideal, mas nunca foi totalmente esquecido. O ideal democrático de ir além da democracia delegatícia, ou representativa, e chegar à democracia participativa, de baixo para cima, envolvendo o maior número possível de pessoas, sempre esteve presente no ideário dos movimentos sociais, das comunidades de base, dos Sem Terra e de outros. Mas nos faltavam os instrumentos para implementar efetivamente essa democracia universal, popular e participativa.
Eis que esse instrumento nos foi dado pelas várias mídias sociais. Elas são sociais, abertas a todos. Todos agora têm um meio de manifestar sua opinião, agregar pessoas que assumem a mesma causa e promover o poder das ruas e das praças. O sistema dominante ocupou todos os espaços. Só ficaram as ruas e as praças, que por sua natureza são de todos e do povo. Agora surgiram a rua e a praça virtuais, criadas pelas mídias sociais.
O velho sonho democrático segundo o qual o que interessa a todos, todos têm direito de opinar e contribuir para alcançar um objetivo comum, pode enfim ganhar forma. Tais redes sociais podem desbancar ditaduras, como no Norte da África; enfrentar regimes repressivos, como na Turquia; e agora mostram, no Brasil, que são os veículos adequados de revindicações sociais, sempre feitas e quase sempre postergadas ou negadas: transporte de qualidade (os vagões da Central do Brasil têm quarenta anos), saúde, educação, segurança, saneamento básico. São causas que tem a ver com a vida comezinha, cotidiana e comum à maioria dos mortais. Portando, coisas da Política em maiúsculo.
Nutro a convicção de que, a partir de agora, se poderá refundar o Brasil, a partir de onde sempre deveria ter começado: a partir do povo mesmo, que já encostou nos limites do Brasil feito para as elites. Estas costumavam fazer políticas pobres para os pobres e ricas para os ricos. Essa lógica deve mudar daqui para frente. Ai dos políticos que não mantiverem uma relação orgânica com o povo. Estes merecem ser varridos da praça e das ruas. Escreveu-me um amigo que elaborou uma das interpretações do Brasil mais originais e consistentes, o Brasil como grande euforia e empresa do Capital Mundial, Luiz Gonzaga de Souza Lima. Permito-me citá-lo: "Acho que o povo esbarrou nos limites da formação social empresarial, nos limites da organização social para os negócios. Esbarrou nos limites da Empresa Brasil. E os ultrapassou. Quer ser sociedade, quer outras prioridades sociais, quer outra forma de ser Brasil, quer uma sociedade de humanos, coisa diversa da sociedade dos negócios. É a Refundação em movimento".
Creio que este autor captou o sentido profundo, e para muitos ainda escondido, das atuais manifestações multitudinárias que estão ocorrendo no Brasil. Anuncia-se um parto novo. Devemos fazer tudo para que não seja abortado por aqueles daqui e de lá de fora, que querem recolonizar o Brasil e condená-lo a ser apenas um fornecedor de commodities para os países centrais, os quais alimentam ainda uma visão colonial do mundo, cegos para os processos que nos conduzirão fatalmente à uma nova consciência planetária e à exigência de uma governança global. Problemas globais exigem soluções globais. Soluções globais pressupõem estruturas globais de implementação e orientação. O Brasil pode ser um dos primeiros países nos quais esse inédito viável pode começar a sua marcha de realização. Dai ser importante não permitirmos que o movimento seja desvirtuado. Música nova exige um ouvido novo. Todos são convocados a pensar este novo, dar-lhe sustentabilidade e fazê-lo frutificar num Brasil mais integrado, mais saudável, mais educado e melhor servido em suas necessidades básicas.
CONFUSÃO EM TORNO DA MANIFESTAÇÃO:
Convocado pelas centrais sindicais e marcado para depois de amanhã o Dia Nacional de Luta, ou que outro nome tenha, prevê greves, paralisações e passeatas em todo o país. O diabo é saber o objetivo político da manifestação, porque a CUT, levando o PT de carona, jamais imaginaria sair às ruas para contestar o governo Dilma. Mas a Força Sindical já anuncia palavras de ordem oposicionistas, inclusive a singular exortação para que a presidente da República caia no precipício. Parece que assistiremos um movimento “bom-brill”, de mil e uma utilidades.
 São contraditórias as informações. Umas dão conta de que o  Lula e o palácio do Planalto estimulam o movimento.  Outras, de que não serão toleradas agressões à ordem pública, estando os organismos policiais de prontidão.
 Mesmo sem bola de cristal, fica óbvio que se houver sucesso, quer dizer, muita gente nas ruas de São Paulo, Rio e outras capitais, ninguém impedirá os trabalhadores de se pronunciarem contra o governo, as autoridades públicas, os salários baixos, a corrupção e outros temas. As centrais poderão integrar-se aos recentes movimentos estudantis, mas, no reverso da medalha, imagina-se que   também possam  homenagear  Lula e Dilma. Faixas para todo gosto estarão sendo pintadas.
 Em suma, uma grande confusão,  capaz de revelar-se até  geográfica, porque em alguma capital do Nordeste pode haver protestos e em outras do Sudeste, aplausos para os detentores do poder. A  maioria deverá  inclinar-se  para a crítica. Tomara que os organizadores do movimento tenham tomado providências para isolar os vândalos de todas as ocasiões, aqueles empenhados em saquear, invadir, roubar e destruir.  O que os jovens não conseguiram, três semanas atrás, os sindicalistas talvez obtenham sucesso, pois mais organizados e experientes.
OS CAVALEIROS DE GRANADA
Há quem veja na manifestação de quinta-feira algo parecido com o soneto de Cervantes sobre os Cavaleiros de Granada, aqueles que saíram  alta madrugada, em louca disparada, brandindo lança e espada. Para que? Para nada…


Falta uma pauta efetiva de reivindicações para o trabalhador,  pela impossibilidade de as centrais sindicais  exigirem  do governo aquilo que ele não lhes pode dar, como a participação no lucro das empresas,  a co-gestão,  a volta à estabilidade no emprego e  o  reajuste do salário-família. Fonte: http://diariodopoder.com.br/

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