sábado, 6 de julho de 2013

DILMA E A SOLIDÃO NA CRISE



A SOLIDÃO NA CRISE
A revista VEJA tem feito uma cobertura excelente das manifestações, ouvindo centenas de pessoas nas ruas e destacou o carioca Maycon Freitas, 31 anos. Com apenas R$ 400,00 gasto na compra de um megafone, uma faixa e uma página no Facebook
(https://www.facebook.com/uniaodecombateacorrupcao) ele mobilizou milhares de pessoas em manifestações no Rio e foi o entrevistado de VEJA (03/07/13, nas páginas amarelas em “A voz que emergiu das ruas”. Muito interessante a entrevista com esse ativista; articulado, de imaginação disciplinada e com o pé no chão. “Sou absolutamente contra o quebra-quebra. A desordem não leva a nada”. “Não somos de esquerda. Quem diz que somos de direita é o pessoal de certos partidos políticos que não entendem por que não nos aliamos a eles. Vi nas ruas muitos querendo se apropriar do movimento”, “Eu e meus amigos estamos cansados de tanta história de corrupção e impunidade. Sabe quanto desaparece dos cofres públicos todo ano no Brasil? Mais de 200 bilhões de reais. Isso é dinheiro nosso, da sociedade, do povo, que precisa de mais saúde, educação, segurança... Está todo mundo indignado com tanta afronta”, disse.
Nessa mesma edição de VEJA li o texto de Lya Luft intitulado “Falência múltipla”, onde ela fala da pergunta de um jornalista num programa de televisão que pediu a um médico seu amigo um diagnóstico do que está ocorrendo no Brasil: infecção, virose? A resposta foi perfeita: “Falência múltipla dos órgãos”. E lamenta que todo esse movimento de massa provoca e abriga sem querer grupos violentos e anárquicos. “ Sou totalmente contrária a qualquer violência, mas este povo chegou ao extremo de sua tolerância, percebeu que tem poder, não quer mais ser enganado e explorado: que não se destrua nada, mas se abram horizontes reais de melhoria e contentamento. Não sei como isso vai acabar; espero que transformando o Brasil num lugar melhor para se viver”, disse.   

A SOLIDÃO NA CRISE
DORA KRAMER - O Estado de SÃO Paulo, 05/07/13
“Um político que não milita no Executivo nem faz parte da roda de conselheiros, mas é muito próximo de Dilma Rousseff, teve dois sugestivos diálogos na semana passada. Um com ela, no Palácio do Planalto, outro com o presidente do Senado, Renan Calheiros.
A intenção dele era ajudá-la a encontrar uma saída, mas tudo o que conseguiu foi concluir que a presidente tem consciência de que está numa encruzilhada da qual não sabe como sair e que se sente abandonada pelo PT e pelos partidos da base aliada.
"Ninguém me defende, fugiram todos", disse ela ao interlocutor. A maior parte do tempo, no entanto, ouviu calada.
O amigo lhe disse: "Você nunca quis 39 ministérios, não pediu para o Brasil sediar a Copa, de verdade não queria a parceria com o PMDB. Isso tudo é herança do Lula".
Silêncio. "Essa não é você", ponderou o amigo, aconselhando-a a reagir segundo as próprias convicções. Da Copa não é possível voltar atrás, "mas você pode reduzir o número de ministérios e deixar de lado a aliança com o PMDB", insistiu.
Silêncio. Rompido apenas para externar o desagrado por pagar a conta sozinha: "Estou apanhando de todos os lados e nem tudo é responsabilidade minha". Não falou mal de Lula, não criticou esse ou aquele aliado, não deu sinal de que tenha a mais pálida ideia do que fazer.
O interlocutor da presidente saiu dali e foi procurar o presidente do Senado para lembrar-lhe alguns fatos e cobrar lealdade. "O governo foi forçado a apoiar sua volta à presidência, não faltou ao Sarney quando ele quase foi afastado na crise dos atos secretos (em 2009), por que agora essa atitude agressiva sua e do PMDB?"
Frio como um peixe, Calheiros respondeu: "Porque ela tentou jogar a crise no colo do Congresso". Segundo consta, nada mais disse nem lhe foi perguntado.
A conversa aconteceu dias depois de o presidente do Senado ter requisitado avião da FAB para ir ao casamento da filha do líder do governo Eduardo Braga, em Trancoso (BA), enquanto o País gritava de Norte a Sul que está farto dos espertos.
Chá e antipatia. O tempo fechou na reunião ministerial de segunda-feira quando o ministro Moreira Franco (PMDB) falou em inflação em termos, digamos mais realistas que o cenário cor-de-rosa pintado pelo colega Guido Mantega.
A certa altura, a presidente Dilma Rousseff o chamou de "burro".
No dia seguinte, na reunião da executiva do partido, nenhum dos ministros do partido - só Edison Lobão não foi, alegando doença - disse uma palavra em defesa da presidente que no encontro só não foi chamada de bonitinha.
Pode até ter sido arroubo momentâneo, mas na versão original da nota oficial sobre o resultado da reunião constava a disposição de entregarem os cargos. O texto dizia algo como "que a presidente faça o que quiser com os ministérios". A turma do deixa disso ponderou que os termos poderiam soar pessoalmente ofensivos e que não era hora de radicalizar em público.
Sobre eleição e reedição da aliança com o PT, o clima, que já não era bom antes da queda de Dilma nas pesquisas, ficou muito pior, mas o momento é de indefinição.
O PMDB não vê como a presidente possa voltar ao patamar anterior, não crê na candidatura de Lula, acha que quem vai se beneficiar eleitoralmente é quem, no campo da oposição, souber capitalizar a insatisfação, mas não vê um nome no horizonte.
Telhado de vidro. O PMDB e o Congresso estão sem autoridade para revides depois que se descobriu que os presidentes da Câmara e do Senado - ambos do partido e eleitos pela maioria dos pares - fizeram uso particular de bem público em desfaçatez ímpar, dado o momento.”
                                      **************
Escondidinho – “O Itamaraty ignorava agenda de Lula na embaixada em Berlim, terça (2), mas o ex-presidente estava na suíte presidencial do quarto andar, numa ala com doze quartos para hóspedes vips do embaixador.”
Aplausos – “Dilma não foi ao Maracanã, temendo vaia, e perdeu a reinauguração do Bumbódromo, onde  o governador do Amazonas, Omar Aziz (PSD), e a primeira-dama Nejmi, muito populares no Estado, foram ovacionados.”                                                                                                 Fonte: http://diariodopoder.com.br/ (Cláudio Humberto) 



“Dilma Rousseff recebeu a nata da bancada do PT. Depois de ouvi-la, um dos deputados presentes deixou o Planalto com a impressão de que alguma coisa subiu à cabeça da presidente. Não sabe muito bem o quê. Mas tem certeza de que não é nada que se pareça com sensatez. O observador petista registrou três passagens:
1. Não é comigo: Dilma fala dos protestos que encheram as ruas como se tivesse uma mochila nas costas. Ela volta no tempo: “Nós viemos das ruas.” E perde a noção do presente, insinuando que o asfalto não ronca contra o seu governo. O escorpião do PT acha que Dilma ainda não se deu conta do que realmente virou: uma presidente com 27 pontos percentuais a menos no Datafolha.
2. As meninas: Participaram da conversa os ministros Mercadante, Ideli e Gleisi. Ouviram-se críticas à desarticulação político-administrativa e à incapacidade de comunicação do governo. Soaram também inquietações com a economia. Dilma defendeu-se do pessimismo econômico. Sobre o resto, deu a entender que concorda.
Ex-meninas superpoderosas, Ideli e Gleisi apanharam caladas. Apenas Mercadante se animou a mover os lábios. E não foi para defendê-las. A certa altura, o companheiro José Guimarães, líder do PT na Câmara, declarou que o governo precisa ser “chacoalhado”. Dilma fez sinal de concordância. O observador petista entendeu que vem reforma ministerial por aí. Acha que pode ajudar. Porém…
Não sabe onde Dilma está com a cabeça que ainda não reformou sua cozinha. Enxerga ali três ex-ministros esperando para acontecer: Mercadante, que já não está na Educação e ainda não foi para outro lugar; e a dupla Ideli-Gleisi, que deveria estar noutro lugar e ainda ocupa a coordenação política/Casa Civil.
3. O fetiche do plebiscito: A conversa durou algo como duas horas. Nesse intervalo, Dilma alternou duas personalidades: a de rainha e a de síndica do condomínio. Com a coroa na cabeça, insistiu na tese do plebiscito já. Coisa que todo mundo enxerga como inviável. Até os cegos.
Com a calculadora nas mãos, Dilma revela enorme preocupação com as emboscadas que seus pseudoaliados lhe preparam no Congresso. Insinua que não há caixa para projetos como o que destina 10% da arrecadação bruta da União para a saúde –uma prioridade do PMDB. O observador petista acha que Dilma precisa se decidir. Optando pela síndica, encontrará ajuda sincera. Se quiser brincar de rainha, será tomada como um caso irreversível de camisa-de-força.” Fonte: http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/


 


Nenhum comentário:

Postar um comentário