segunda-feira, 5 de novembro de 2012

CENÁRIO POLÍTICO





CENÁRIO POLÍTICO APÓS AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 2012
             Theodiano Bastos

        Apesar de alarde do PT, não houve hegemonia de nenhum partido na eleição municipal de 2012.

         E ao se analisar o mapa com os resultados das eleições municipais de 2012, emergem no cenário político nacional dois líderes: Aécio Neves e Eduardo Campos.

         O PT ganhou apenas em 10% dos municípios e os outros
90%, com 80% dos eleitores foram pulverizados entre os outros partidos. A vitória em São Paulo, que representa 5% do eleitorado brasileiro não compensou as derrotas em Recife, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, e Porto Alegre, apesar todo empenho de Lula e Dilma. Em Vitória, a ex-ministra de Dilma, a dep. Federal Iriny Lopes, do PT, nem chegou ao segundo turno e só teve 18% dos votos, apesar de toda cobertura de Dilma e Lula. Vejam esses dados:
          2012, segundo turno:
Fernando Haddad, 3.387.720 (55,57%)
José Serra, 2.705.768  (44,43%)                                                                                                 Abstenção: 1.722.880 919,99%); nulos: 500.578 (7,26%) e branco: 99.224 (4,34%)

Apesar de toda euforia, Haddad teve menos votos em 2012 que Kassab em 2008, vejam:  
2008, segundo turno:
Gilberto Kassab, DEM, 3.790.558 (60,72%
Marta Suplicy, PT, 2.452.527 (39,28%)





              Ao se analisar o mapa com os resultados das eleições municipais de 2012, emergem no cenário político nacional dois líderes: Aécio Neves e Eduardo Campos. 



Na parte do País onde o governo federal fincara sólidas bandeiras é visto com festejo: Salvador, Teresina, Maceió, Manaus, Belém e Aracaju. Inclui Fortaleza e Recife, conquistas do PSB em confronto com o PT, para dizer que a invencibilidade de Lula é um mito e a boa avaliação de Dilma não resulta necessariamente em influência de voto.
A presidente e Lula se empenharam pessoalmente em cinco cidades, (Belo Horizonte, Campinas, São Paulo, Manaus, Salvador) e perdeu em quatro. 
 
Em número de municípios, o PMDB continuou em primeiro lugar, o PSDB em segundo e o PT em terceiro. Mas mesmo com o julgamento do mensalão, o PT cresceu em votos nos 85 maiores municípios do país, passando de 9,6 eleitores para 15,2; O PSB foi o que mais cresceu, passando de 3,1 milhões de eleitores para 7,7; PMDB decresceu de 12,8 para 7,4; o PSDB cresceu um pouco, passando de 6 para 6,4; o PDT também cresceu, passando de 2,8 para 3,7 e o DEM passou de 9,9 para 3,1 e o PSD, disputando uma eleição pela primeira, conseguiu 1,4 milhões de eleitores entre os 85 maiores colégios eleitorais do país.  O Bolsa Família falou mais alto...

Estranhamente a oposição ganhou no Norte e Nordeste, redutos do PT e perdeu terreno no Sul e Sudeste. Na Bahia, por exemplo, Dilma teve 64% dos votos em 2010 e em Salvador perdeu para o DEM com ACM Neto. 

O PSB aparece como sucessor do PT na eleição presidencial de 2014. O partido que mais cresceu em relação a 2008, conquistou Recife e Cuiabá e reelegeu o prefeito de Belo Horizonte, com Márcio Lacerda. As vitórias nas capitais de Pernambuco e Minas Gerais têm maior peso político não apenas pelo expressivo eleitorado das duas cidades, mas porque houve confronto direto com candidatos do PT.

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DE 2014, CENÁRIO



O PT tem atualmente na Câmara 85 deputados (16% em 513) e no Senador, 14 senadores (17% em 81). Desta forma a base aliada é completada com adesismo  de 17 partidos, mediante oferta de cargos e liberação de emendas.. São 366 deputados e 63 senadores que formam a base governista no Congresso, onde domina com 71,3% da Câmara e 77,7% do Senado, porcentual  que nem Hugo Chaves conseguiu na Venezuela, onde tem 64% dos votos...

E se Aécio Neves do PSDB firmar coligação com Eduardo Campos, não tenhamos dúvidas de que essa dupla ganhará a eleição presidencial de 2014, derrotando Dilma ou Lula.

Articulações já existem propondo a aliança política entre Minas, São Paulo e Pernambuco, tendo Eduardo Campos como candidato a presidente e Aécio Neves como Vice. Ao vencerem as eleições, implantariam o parlamentarismo e Aécio seria o Primeiro Ministro. A conferir.



Em Recife, o PT acabou com o PT.
“Foi um rol de trapalhadas", afirmou Wagner, sobre o conflito que resultou na divisão da legenda, no rompimento da aliança com o PSB e no fim da hegemonia local”.
Humberto Costa acabou em terceiro lugar, com 17% dos votos. Geraldo Julio (PSB), apadrinhado pelo governador pernambucano Eduardo Campos, venceu a eleição de Recife no primeiro turno com 51% dos votos. 
Diz Heitor Carvalho, da UFMG:

“Descontadas as bravatas do tipo "sindical" em que qualquer resultado da greve sempre É PRECISO TROMBETEAR
QUE GANHAMOS porque senão na próxima ninguém vai querer "embarcar em canoa furada"  é ainda meio cedo para analisar as consequências para 2014. Os eleitos ainda não tomaram posse, não organizaram suas respectivas "bases aliadas" e os cenários nacional e internacional estão ainda "assimilando" as diversas mudanças.
O que acontecerá na China, nos EUA, na Europa? Esses macroimpactos na economia ainda vão repercutir de forma impactante no Brasil. Outra consideração importante é a evolução da demografia. Em 2012 muitos dos novos eleitores nunca terão tido participação naqueles históricos comícios de "Lula lá" mas terão ouvido falar - mesmo que ligeiramente- - no mensalão, no ministro Barbosa do Supremo Tribunal Federal.
Se o Haddad seguir a "tradição" de "aparelhar a prefeitura" será muito mais difícil esconder os mal feitos (tipo ENEM, Cotas,
Parfor e outras coisas feitas no MEC atrás de uma barragem de propaganda) porque tudo estará bem à vista da população. As "Cotas" na Universidade, na verdade concreta, são irrisórias porque depedem de tantos cálculos, como o da percentagem de autodeclarados negros, pardos e indígenas, em cada estado e na "progressiva" implantação em três anos, que concorrer "sem cota" acaba tendo uma relação "candidato-vaga" mais favorável. Isto pode ser constatado entrando-se nos sites das universidades e examinando os quadros-planilhas de vagas-cota por curso. Não está sendo divulgado que as Federais estão com índices de evasão de 40 a 60% em todos os cursos. Muitos novos ingressantes quando descobrem que como estudantes terão que fazer uma coisa horrível e que nunca fizeram antes na sua vida escolar pregressa, isto é, ESTUDAR, abandonam.

Acham que não vale a pena tanto esforço para depois ganhar um "salário" menor do que com os "biscates" que andam fazendo.
A falta de tradição de estudo nas famílias é uma luta inglória. Na residência não há um lugar para guardar livros (o que é isto?), ou
em que se possa ter uma hora de silêncio relativo para concentração. Muitos dirão ao calouro que estudar muito faz ficar doido, que se ganha mais dinheiro com o comércio, que nunca conseguirão vencer porque tudo já é para as elites, e assim por diante.
Junte-se a tudo isto as dificuldades maiores que acabam enfrentando por várias dificuldades como transporte, horários, alimentação, falta de conhecimentos que são pré-requisitos, falta de adaptação das próprias escolas e professores para atender às necessidades deles e o resultado é o abandono ou fracasso. Isto reforça tudo que o discurso "contra" já vaticinou. Quando uns poucos de todo esse grupo chega a vencer então vai aparecer na "propaganda oficial" e em "entrevistas" na Voz do Brasil  para uso eleitoreiro...”












PAULICEIA DESNORTEADA
Diz Dora Kramer, (O Estado de S.Paulo, 30/10/12):
A gênese da candidatura de José Serra à Prefeitura de São Paulo é de alguma forma síntese das tormentosas bifurcações que assolam o PSDB. Alto nível de rejeição a Serra por ter renunciado ao cargo de prefeito para concorrer ao governo do estado e depois renunciou para candidatar-se a presidente em 2010.
Russomano desabou na reta final ao lançar o bilhete fracionado no lugar do bilhete único, e quem morava mais longe pagaria mais.
PT já tinha governado São Paulo com Luíza Erundina e depois com Marta Suplicy e agora reconquista a prefeitura com Fernando Haddad, uma vitória inesperada do PT.  Haddad é eleito prefeito com menos votos do que Kassab obteve em 2008.
O PSDB errou feio em São Paulo. Ao invés da renovação, partiu para mais do mesmo e deu no que deu.
De acordo com os dados da apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 19,99% dos eleitores da capital paulista – 1,72 milhão de pessoas – não compareceram às urnas neste domingo. No primeiro turno, realizado no dia 7 de outubro, o percentual havia sido de 18,48%.
No pleito deste domingo, o percentual de votos em branco e nulos foi menor em comparação ao primeiro turno, segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os votos brancos, que no primeiro turno chegaram a 5,43%, ou 381.407 de votos, somaram 4,34% do total (299.224 votos) no segundo turno. Os votos nulos passaram de 516.384 (7,35% dos que foram às urnas) no primeiro turno para 500.578 (7,26% do total) neste domingo.
“Serra foi candidato por insistência do partido que lhe negara a presidência do instituto nacional de estudos (Teotônio Vilela) no ano anterior e na prévia municipal deu-lhe o aval de candidato com pouco mais da metade dos votos (52%).
Em miúdos, o partido queria, mas não queria muito. Houve quem enxergasse na candidatura a prefeito uma oportunidade de tirar Serra definitivamente da disputa de 2014 - projeto por ele acalentado, embora não necessariamente para presidente -, houve quem preferisse apostar na escolha de um dos quatro candidatos à prévia, mais ou menos equivalentes no tocante à baixa densidade na largada.
Não enfrentou a questão das renúncias de Serra, uma quando era prefeito e renunciou para se candidatar ao governo e quando novamente renunciou em 2010 para ser candidato a presidente. nem soube separar as duas fases da gestão de Kassab, uma como herdeiro, outra como prefeito eleito.
Houve alertas internos nesse sentido? Houve, mas caíram no buraco negro das dissensões, teimosias, animosidades, autofagia, corpo mole e tudo o mais que agora desautoriza as reclamações do departamento de engenharia de obra feita. Se houvesse unidade, comando e tirocínio no partido, o efeito deletério não teria encontrado terreno fértil”, conclui Dora Kramer.











 ELEIÇÃO EM SALVADOR
O autor deste blog estava em Salvador dia 28/10/12, na eleição do segundo turno.
Havia militantes do PT agitando bandeiras vermelhos, como um enxame de abelhas para tudo quanto é lugar.
Segundo informavam, muitos desses militantes foram trazidos dos municípios da Grande Salvador e até de Sergipe. Todos os ônibus urbanos tinham adesivos colados nas laterais e na parte traseira com a estrela vermelho do PT com o 13.
Houve um vale-tudo total, ganhar de qualquer jeito. E apesar do enorme empenho de Lula e Dilma e do governador Jaques Vagner e da máquina do PT, ACM NETO do DEM, Nelson Pelegrino foi derrotado.
ACM Neto teve quase 94 mil votos a mais.



Abstenção no primeiro turno das eleições supera 16%.

22,7 milhões de eleitores não votaram, 4 milhões a mais que em 2008. Maior abstenção ocorreu no Maranhão (19,6%) e menor, em Sergipe (7%). Com 100% dos votos apurados no 1º turno destas eleições, 22,73milhões de eleitores não compareceram às urnas para escolher umcandidato, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com isso, o nível de abstenção no país chegou a 16,41% dos 138,5 milhões de eleitores do país.

Conclusões: Apesar do julgamento no STF e a condenação de figurões do PT, isso pouco influiu no eleitorado do Bolsa Família e em São Paulo, o PSDB errou feio ao insistir mais do mesmo e a vitória de Haddad também foi obra do marqueteiro João Santana.






                        






 

Um comentário:

  1. Heitor de Carvalho, Belo Horizonte, disse por e-mail:
    Caro Theodiano,
    Descontadas as bravatas do tipo "sindical" em que qualquer resultado da greve sempre É PRECISO TROMBETEAR
    QUE GANHAMOS porque senão na próxima ninguém vai querer "embarcar em canoa furada" é ainda meio cedo para analisar as consequências para 2014. Os eleitos ainda não tomaram posse, não organizaram suas respectivas "bases aliadas" e os cenários nacional e internacional estão ainda "assimilando" as diversas mudanças.
    O que acontecerá na China, nos EUA, na Europa? Esses macroimpactos na economia ainda vão repercutir de forma impactante no Brasil. Outra consideração importante é a evolução da demografia. Em 2012 muitos dos novos eleitores nunca terão tido participação naqueles históricos comícios de "Lula lá" mas terão ouvido falar - mesmo que ligeiramente- - no mensalão, no ministro Barbosa do Supremo Tribunal Federal.
    Se o Haddad seguir a "tradição" de "aparelhar a prefeitura" será muito mais difícil esconder os mal feitos (tipo ENEM, Cotas,
    Parfor e outras coisas feitas no MEC atrás de uma barragem de propaganda) porque tudo estará bem à vista da população. As "Cotas" na Universidade, na verdade concreta, são irrisórias porque depedem de tantos cálculos, como o da percentagem de autodeclarados negros, pardos e indígenas, em cada estado e na "progressiva" implantação em três anos, que concorrer "sem cota" acaba tendo uma relação "candidato-vaga" mais favorável. Isto pode ser constatado entrando-se nos sites das universidades e examinando os quadros-planilhas de vagas-cota por curso. Não está sendo divulgado que as Federais estão com índices de evasão de 40 a 60% em todos os cursos. Muitos novos ingressantes quando descobrem que como estudantes terão que fazer uma coisa horrível e que nunca fizeram antes na sua vida escolar pregruessa, isto é, ESTUDAR, abandonam.

    Acham que não vale a pena tanto esforço para depois ganhar um "salário" menor do que com os "biscates" que andam fazendo.
    A falta de tradição de estudo nas famílias é uma luta inglôria. Na residência não há um lugar para guardar livros (o que é isto?), ou
    em que se possa ter uma hora de silêncio relativo para concentração. Muitos dirão ao calouro que estudar muito faz ficar doido, que se ganha mais dinheiro com o comércio, que nunca conseguirão vencer porque tudo já é para as elites, e assim por diante.
    Junte-se a tudo isto as dificuldades maiores que acabam enfrentando por várias dificuldades como transporte, horários, alimentação, falta de conhecimentos que são pre-requisitos, falta de adaptação das próprias escolas e professores para atender às necessidades deles e o resultado é o abandono ou fracasso. Isto reforça tudo que o discurso "contra" já vaticinou. Quando uns poucos de todo esse grupo chega a vencer então vai aparecer na "propaganda oficial" e em "entrevistas" na Voz do Brasil para uso eleitoreiro..
    Mas.. Com tudo isto há avanços porque muitos abnegados continuam carregando o piano e apesar de tudo falando a verdade, trabalhando e dando apoio aos que se esforçam para ir para frente.
    Quem viver verá.

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